Curitiba - A Secretaria de Estado da Segurança Pública quer que a Polícia Federal (PF) apure eventuais ligações de empresas e empresários paranaenses com o esquema de compra de sentenças judiciais para garantir a abertura de bingos e a exploração de máquinas caça-níqueis no Estado, proibidas desde abril de 2003.
A suspeita surgiu a partir da prisão do desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2 Região, Ricardo Regueira, na operação Hurricane (furacão em inglês), que envolveu a PF de cinco estados, na semana passada. O magistrado concedeu liminar autorizando o funcionamento de dois bingos, em maio do ano passado, em Curitiba. A decisão judicial foi derrubada, antes que as casas reabrissem.
Em entrevista coletiva, na tarde de ontem, o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, afirmou que está sendo feito um levantamento de todas as liminares que tentavam beneficiar bingos do Paraná. Segundo ele, há fortes indícios de que decisões de outros tribunais, também, tenham sido manipuladas. ''São liminares esdrúxulas, fora do contexto jurídico, tanto que foram fulminadas pela presidente do Supremo Tribunal Federal (Ellen Gracie)'', disse Delazari, referindo-se, especialmente, ao processo no qual Regueira foi o relator. Vamos encaminhar todas essas informações para a Polícia Federal. Está na hora de passar o País a limpo'', afirmou.
De acordo com o secretário, os dois bingos de Curitiba conseguiram liminar do TRF da 2 Região -que abrange Rio de Janeiro e Espírito Santo- usando o ''artifício'' de se tornarem filiais de empresas de outros estados, onde a atividade é permitida.
Delazari deu a entrevista em um barracão, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, onde estão cerca de mil equipamentos (entre máquinas caça-níqueis e bingueiras), apreendidos desde 2003 na ofensiva do governo contra o jogo no Paraná.

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