Paraná amplia prescrição do Tamiflu
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segunda-feira, 03 de agosto de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) prometeu a flexibilização na liberação do medicamento Tamiflu para tratamento dos pacientes com suspeita de gripe A (H1N1). A intenção foi revelada pelo secretário Gilberto Martin, ontem, após reunião com representantes da sociedade médica e presença do Ministério Público Estadual (MP-PR). Vamos buscar essa flexibilização dentro dos parâmetros já estabelecidos, mas procurando atender também os casos com possibilidade de agravamento, garantiu.
Segundo o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo, o pedido não partiu apenas da associação, mas de várias entidades médicas, por haver uma preocupação de que pacientes com a gripe evoluam para um quadro pior sem receber o medicamento. O protocolo do Ministério da Saúde (MS) estabelece que apenas gestantes, crianças abaixo de 5 anos, idosos, pacientes imunodeprimidos e casos confirmados da doença poderiam receber o remédio.
Para Macedo, essa limitação pode ter prejudicado o tratamento de alguns pacientes. Ele cita os casos internados na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital de Clínicas e admite a possibilidade com os óbitos já confirmados da doença. O medicamento continuará centralizado nas regionais da Secretaria, mas o critério médico será mais valorizado, com a liberação do tratamento para os casos em que for avaliada a possibilidade de agravamento do quadro do paciente. De acordo com ele, a flexibilização já está em vigor.
Na opinião do presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Miguel Ebrain Hanna Sobrinho, por se tratar de uma situação nova uma epidemia nunca antes enfrentada no Brasil todos estão aprendendo. A classe médica buscou essa reunião com a secretaria por uma questão de cidadania. A nossa responsabilidade, do diagnóstico, é a mesma, mas agora o profissional terá uma margem de atuação melhor. Antes perdíamos um pouco da autonomia por termos que seguir o protocolo rígido do ministério, avalia.
Como resultado da reunião, um documento com indicações e sugestões será enviado ao MS. Martin garantiu que, mesmo ampliando o número de pacientes que poderão receber o medicamento, os estoques do Paraná serão suficientes. Ele pediu atenção para que não haja banalização na prescrição do Tamiflu, segundo ele, a única bala na agulha para enfrentamento da doença.
HC teve 10 mortes
Mais uma pessoa morreu no Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, com suspeita de ter contraído a gripe A, ontem. O hospital já contabiliza dez mortes de pacientes com suspeita da doença. Nenhum óbito foi confirmado laboratorialmente, já que os exames de casos em que o paciente morreu, após analisados no Laboratório Central do Paraná (Lacen), precisam ser confirmados pelo laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. O próximo boletim epidemiológico com confirmações da doença deve ser divulgado amanhã.
Ontem, 14 pessoas com suspeita da nova gripe estavam na UTI do HC. Segundo a assessoria do hospital, a maioria é jovem, sendo uma grávida de 21 anos que perdeu o bebê. Outras 12 pessoas estavam em observação no pronto-atendimento, 15 em isolamento no setor de infectologia e três internados na unidade semi-intensiva. O hospital tinha vagas na ala destinada ao tratamento da gripe A. Sessenta funcionários, entre eles quatro médicos, do HC já foram afastados por suspeita da doença. Vinte e quatro tinham retornado até ontem.


