Curitiba- O Paraná melhorou em 2006 o índice de captação de córneas para transplante. Segundo um levantamento feito pela Folha, através de um cruzamento de dados da Central de Transplantes do Estado e da estimativa de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Paraná, do início do ano até o final de outubro, o índice de remoção foi de 93,74 córneas a cada grupo de um milhão de habitantes.
É o segundo melhor desempenho entre os Estados do Sul do Brasil. Segundo dados das Centrais de Transplantes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina o índice de captação até o final de outubro foi de 87,61 córneas a cada um milhão de habitantes, e no Rio Grande do Sul, de 127,80 córneas.
Até o ano passado, o Paraná tinha o pior índice do Sul do Brasil. Em 2005, a proporção no Estado foi de 58,76 córneas captadas por milhão de habitantes, contra um índice de 78,41 córneas em Santa Catarina e de 123,19 no Rio Grande do Sul.
A melhora do índice de captação de córneas do Paraná, entretanto, não significa que a situação seja a ideal. No final de outubro, 1.155 pessoas aguardavam um transplante de córnea no Estado, de acordo com a Central de Transplantes do Paraná. Em 2006, até o final de outubro, 962 córneas foram captadas no Estado. Em 2005, foram 603.
Ainda ocorrem no Paraná situações como a do curitibano Cleverson Pedroso Novele Lopes, de 22 anos, que esperou na fila de transplantes por um ano e meio. Após a longa espera, ele foi chamado para realizar a cirurgia. Mas o procedimento não foi realizado porque, segundo Lopes, houve um engano no registro dos dados dele.
''Fui me informar e entrei em contato com o Hospital Oftalmológico de Sorocaba (SP). Lá, marquei uma consulta na sexta-feira. No sábado, já tinha córnea para a minha cirurgia'', explica Lopes. Ele recebeu um transplante de córnea no olho esquerdo e, no direito, o implante de um anel para a correção de um ceratocone, doença progressiva que afeta a forma da córnea e que pode levar à cegueira.
Lopes foi um dos primeiros pacientes brasileiros a serem submetidos a um procedimento pioneiro (veja box). Algumas semanas após a cirurgia, ele já percebia a diferença. ''Estou conseguindo ler normalmente. Estou enxergando muito melhor, e vai melhorar mais ainda. Eu sofri muito com a perda de visão. Era difícil ler mensagens no celular, reconhecer pessoas, acompanhar aulas. Cheguei a quebrar o pé em acidentes porque não conseguia enxergar nada'', comenta Lopes, que trabalha como reparador de veículos.
O médico curitibano Leon Grupenmacher, que operou Lopes, critica os índices de captação de córneas do Paraná. ''Aqui, o paciente tem que esperar por uma córnea por um ano e meio, dois anos. Para se ter uma idéia, em Sorocaba, são captadas mil córneas por mês. Em Curitiba, uma cidade muito maior, são removidas cerca de 30 córneas por mês'', disse Grupenmacher.

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