Paralisação volta a ameaçar prontos-socorros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Londrina - Depois de se comprometer a pagar uma das parcelas em atraso referentes aos atendimentos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e aos incentivos repassados aos médicos que atendem nos prontos-socorros dos hospitais filantrópicos de Londrina, a prefeitura anunciou ontem que faria o depósito em juízo. A decisão desagradou os profissionais que, sem saber quando receberão o dinheiro, voltaram a cogitar a possibilidade de paralisação do serviço. O assunto seria discutido em reunião na noite de ontem na Associação Médica de Londrina (AML).
Em tom de indignação, o diretor do Hospital Evangélico (HE), Luiz Koury, disse lamentar que a situação tenha chegado a esse impasse, resultando em prejuízo para a população, que provavelmente ficará desassistida. Não vejo outra possibilidade senão parar, já que o município não demonstra vontade de resolver o problema. Falar que os médicos estão se beneficiando de alguma ilegalidade mancha a reputação de pessoas sérias; não é da nossa índole se beneficiar de ilegalidades, argumentou o médico.
Koury também questionou o fato das contas terem sido entregues no mês de agosto e o hospital ter recebido a visita de representantes da Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação (Daca) da Secretaria Municipal de Saúde só ontem. Se houvesse alguma irregularidade, eles deveriam ter detectado lá atrás. O diretor disse ainda que se surpreendeu com a notícia do depósito via judicial por tratar-se de uma decisão do prefeito Barbosa Neto. Acreditamos que ele teria sensibilidade para evitar o caos na saúde pública da cidade. Segundo o diretor, no total, o município deve atualmente ao HE cerca de R$ 5 milhões.
O promotor de Defesa da Saúde Pública e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, definiu a decisão do município como um desrespeito a todos os envolvidos na busca por uma solução do problema. Ele lembrou que foi o Ministério Público (MP) que solicitou a audiência realizada no último dia 30, onde foi firmado o acordo que suspendeu temporariamente o fechamentos dos prontos-socorros (PS), mas que até o final do dia de ontem nenhum comunicado havia sido feito ao MP sobre a forma de repasse. Lamentamos a forma como esta questão vem sendo conduzida.


