Curitiba – Motoristas e cobradores de ônibus que circulam pela Região Central de Curitiba paralisaram as atividades por duas horas na tarde de ontem. Eles reclamam do atraso no pagamento do adiantamento salarial, previsto para ser depositado no dia 20 de todo mês. Os veículos que durante o trajeto passam pelas praças Rui Barbosa e Tiradentes ficaram parados das 15h30 às 17h30, gerando algumas filas nas estações-tubos e pontos tradicionais.
Segundo o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), sete das 32 empresas que operam na Capital e região não depositaram o valor, afetando pelo menos quatro mil trabalhadores, de um total de 12 mil. Na última quarta-feira os trabalhadores haviam conseguido na Justiça obrigar as empresas a efetuarem os depósitos em até 48 horas, e multa de R$ 30 mil por dia caso o pagamento atrasasse, como acabou acontecendo. O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informou que está recorrendo da decisão.
"Temos a decisão da Justiça e, mesmo assim, os trabalhadores não receberam o adiantamento. Fizemos este protesto para mostrar a nossa insatisfação. Caso o pagamento não ocorra até o próximo dia 6, vamos deflagrar uma greve no sistema de transporte coletivo da Capital", afirmou o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.
O Setransp informou, por meio de nota, que a Convenção Coletiva de Trabalho estabelece que as empresas têm até o dia 20 do mês corrente para pagar até 40% do salário como adiantamento, não necessariamente os 40%. Além disso, a entidade frisou que por causa da dívida nos repasses da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) e da Coordenação da Região Metropolitana (Comec), que "gira em torno de R$ 10 milhões, algumas empresas não dispunham de recursos para honrar com os 40% do adiantamento salarial do dia 20". No entanto, ressaltou o Setransp, "nenhuma empresa deixou de pagar ao menos uma parte do adiantamento".
A Urbs alegou que "a mobilização ocorrida foi ilegal, uma vez que não houve qualquer comunicado anterior, como determina a lei". O órgão ainda reforçou que "o Governo do Estado ainda não repassou as parcelas do subsídio do transporte metropolitano integrado de outubro e novembro, no total de R$ 10,7 milhões. O valor total que deveria ser repassado de outubro até 30 de dezembro é de R$ 16,7 milhões mas, apesar disso, a Urbs manteve os repasses a essas empresas", destacou em nota.
A nota oficial ainda reforça que, "apesar deste déficit, as empresas do transporte coletivo já receberam nesse mês de dezembro em torno de R$ 28,6 milhões como pagamento antecipado. São recursos das passagens pagas em dinheiro e que diariamente vão direto das gavetas dos cobradores para o caixa das empresas".

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