A paralisação dos servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), realizada durante todo o dia de ontem, prejudicou pacientes que procuraram o Hospital das Clínicas (HC) e o Hospital Universitário (HU). Enquanto uns foram barrados logo nos portões, outros enfrentaram longa espera por atendimento. O protesto também envolveu docentes e funcionários técnico-admistrativos da UEL, deixando a maior parte dos alunos sem aulas (ver texto abaixo). Os servidores reivindicam reajuste salarial de 62% e a aprovação de um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCs).
Entre os pacientes que tiveram que aguardam atendimento no HU estava o ensacador Antônio Galdino dos Santos, 55 anos, que sofre de tuberculose. Morador da Zona Norte, ele foi de bicicleta até o hospital que fica do outro lado da cidade, para fazer um exame de raio X, mas não conseguiu nem entrar no hospital. Santos disse que precisava de remédios com urgência, mas que para retirá-los gratuitamente no posto de saúde precisava do exame. ''Tô com tontura, falta de ar, mas vim de bicicleta porque não tenho dinheiro nem para ônibus. Pago 11% de INSS e não consigo atendimento em lugar nenhum, como é que pode? Eu trabalho de ensacador, ganho R$ 0,08 por saca e nunca fiz greve na minha vida'', protestou.
O operador de embalagens Valdecir Ciconha, 33, conseguiu entrar no HU com a mãe dele, que estava tendo uma crise de vômito, mas enfrentou resistência no guichê de atendimento. Depois de convencer os funcionários de que o caso era uma emergência, ainda teve que sentar e esperar durante horas junto com dona Conceição, 58, que estava com problemas no fígado. ''Não sou contra a greve, até apóio, mas acho que deveria haver um revezamento para atender quem precisa. Minha mãe está doente, poderia até morrer esperando. Será que eles não têm mãe?'', indagou, lembrando que há dois dias a dona de casa precisou de internamento no mesmo hospital, mas foi liberada por falta de leito.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Londrina (SinSaúde), Ana Maria Cruz, os trabalhos no HU foram mantidos apenas nos setores de urgência e emergência, além do atendimento a pacientes que já estavam internados. Em alguns setores como o Hemocentro, funcionários fizeram revezamento. Pela manhã, Ana Maria admitiu que a falta de atendimento no HU já havia provocado a saturação dos prontos-socorros de outros hospitais da cidade.
No HC, não houve atendimento ao público. Dezenas de pacientes que tinham consultas agendadas foram informados de que teriam de retornar só na próxima semana. A decepção foi grande para a cortadora de cana Zeni Siqueira Lisboa, 33. Ela madrugou para vir de Andirá (36 km a oeste de Jacarezinho), em uma ambulância do município, trazer a filha Mercedes, 11, para uma consulta. ''Eles tinham que, pelo menos, ter nos avisado. Nem o motorista da ambulância, que vem todos os dias para cá, estava sabendo. Perdi o dia de serviço'', lamentou. As duas teriam que esperar até as 18 horas de ontem para retornar a Andirá. O gerente-clínico do HC, José Luís Baldy, calculou que cerca de 400 consultas deixaram de ser feitas com a paralisação.

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