Paralisação mostrou relação de dependência
A greve dos trabalhadores da Usina Central Paraná, de Porecatu, teve reflexos no comércio local e mostrou a dependência da cidade, que tem na empresa a maior fonte de arrecadação fiscal. O prefeito Dionizio Santos de Souza (PT) chegou a declarar que o município é refém da usina. Sem pagamento de salários, os trabalhadores deixaram de comprar no comércio local, que teve uma queda nas vendas de 80%, segundo lojistas.
Os trabalhadores reivindicavam salários atrasados, melhorias trabalhistas e denunciavam o não recolhimento de FGTS, desconto de INSS e contribuição sindical, sem o devido repasse aos referentes órgãos. Adicionais de insalubidade e periculosidade, pagamento de férias e horas-extras também faziam parte da lista de exigências. Os empregados ainda denunciavam a contratação mediante compra de rifa. Segundo os funcionários, o dinheiro seria destinado a uma entidade presidida por um diretor da usina.
Durante a greve, o clima esteve tenso e levou alguns grupos a apedrejar prédios da empresa. Uma passeata reuniu cerca de 3 mil pessoas e teve o apoio dos comerciantes, que abaixaram as portas das lojas.
O Grupo Atalla, dono da usina, conforme informações apuradas pela Folha, tem centenas de imóveis rurais e urbanos em cidades vizinhas a Porecatu. Durante a greve, a reportagem da Folha tentou falar com os irmãos Atalla, mas não obteve retorno. O padre de Porecatu, Giancarlo Villa, também tentou se comunicar com os donos da usina, que residem em Jaú, mas não conseguiu. Durante as negociações, diretores argumentavam que a usina estava descapitalizada. (M.B.)





