No primeiro dia da greve dos caminhoneiros, o abastecimento de combustíveis na região de Londrina já havia sido afetado. A situação, pelo menos neste setor, deve se agravar hoje. A previsão é do diretor do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis de Londrina, Valter Sasso. Segundo ele, o abastecimento pode ser comprometido porque a maioria dos donos de postos não se programou para a greve. ‘‘Muitos proprietários de postos estão sem capital de giro e não conseguiram fazer estoques para se prevenir contra a greve’’, afirmou.
Segundo Sasso, ontem à tarde pelo menos seis postos de combustíveis de Londrina estavam sem estoque por causa da greve dos caminhoneiros, que interrompeu a distribuição de produtos. O gerente da rede Posto 15, Miguel Teixeira Comas, afirmou que dois dos seis postos da rede ficaram sem combustíveis. ‘‘No domingo os tanques dos postos já estavam vazios’’, comentou. Ele disse que aguardava ontem o recebimento de 30 mil litros de combustível. ‘‘Mas o caminhão ficou retido no ‘pool’ de combustíveis por causa da greve’’.
Segundo o coordenador do escritório da Texaco, uma das distribuidoras que atuam no pool de combustíveis de Londrina, José Stein, ontem a companhia não conseguiu atender a nenhum dos 15 pedidos de postos de Londrina e região. ‘‘A companhia trabalha com caminhões arrendados e não podemos arriscar. Houve, inclusive, boatos por parte dos grevistas que se os caminhoneiros que estavam no pool não aderissem à greve poderiam jogar uma bomba no local’’, comentou.
Alguns postos da bandeira Shell, que tem distribuidora em Maringá, também não conseguiram receber combustíveis ontem em Londrina. Segundo o diretor do Sindicombustíveis de Londrina, Valter Sasso, dois caminhões que vinham de Maringá com combustíveis ficaram retidos na cidade.
O gerente do Posto São Pedro, Edson de Moraes, que trabalha com a Esso, disse que estava esperando 15 mil litros de combustíveis da distribuidora. ‘‘O caminhão não veio e teremos prejuízo na certa’’, comentou. O dono do Posto Shangri-lá, Jonatas Cerqueira Leite, afirmou que ontem mesmo seus estoques deveriam acabar. ‘‘Se a greve continuar não teremos combustíveis’’, afirmou, observando que já havia pedido à distribuidora 20 mil litros de gasolina e álcool.
O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Londrina e Região, Carlos Alberto Delarosa, negou que a categoria tivesse feito ameaças de jogar uma bomba no pool de combustíveis. ‘‘Sempre há um certo nervosismo por parte dos grevistas, mas não chegamos a tanto’’. Ele afirmou ainda que ontem 85% dos caminhoneiros de Londrina e região estavam paralisados. ‘‘Todos os setores já foram afetados’’, disse.
O abastecimento de combustível e de alimentos de Curitiba e Região Metropolitana não foi atingido pela paralisação dos caminhoneiros. Uma das razões é que os manifestantes não realizaram piquetes em frente às distribuidoras, situadas próximo da Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, ou na Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa). Ontem, o presidente do Sindicato dos Combustíveis do Paraná (Sindicombustível), Roberto Fregonese, disse que não faltou produto nos postos da região.
O presidente garante que os transportadores não vão obstruir as saídas das refinarias de petróleo. ‘‘Se fizéssemos isso iríamos partir para o confronto com a polícia e o que queremos é um movimento pacífico’’, afirma. Apesar disso, o presidente do MUBC no Paraná não descarta a possibilidade de desabastecimento de combustíveis nos próximos dias. ‘‘As empresas de caminhão- tanque aderiram e estão deixando os veículos no pátio’’. (Colaborou Israel Reinstein, de Curitiba)

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