Londrina - Em dia de paralisação de aeronautas (comissários e pilotos) e aeroviários (profissionais que atuam em solo), a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) registrou ontem pela manhã 19,5% dos voos domésticos atrasados e 8,7% cancelados em todo o País. A paralisação nacional – entre as 6 e as 7 horas da manh㠖 não gerou grandes transtornos nos aeroportos do Paraná. Apesar da manifestação, pelo menos no Estado, a situação continuou tranquila ao longo do dia, sem o indesejável efeito cascata que se esperava.
De acordo com informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), dos 28 voos programados no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, seis atrasaram e outros três foram cancelados, representando 21,4% e 10,7% da totalidade, respectivamente, no período da paralisação. Dados extraoficiais obtidos pela reportagem dão conta de que nenhum voo foi cancelado ou atrasado no Aeroporto Governador José Richa, em Londrina.
Por meio da assessoria de imprensa, a Infraero informou apenas que realizou um plano de contingência para adequação da infraestrutura, da mesma forma que é realizado em época de alta temporada, para melhor aproveitamento das pistas e do saguão para passageiros. A assessoria declarou também que não houve qualquer notícia de tumulto nos aeroportos do Paraná.
A paralisação foi decidida após a Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Fentac) e o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), que representa as companhias TAM, Gol, Azul e Avianca, não chegarem a acordo sobre reajuste salarial e benefícios. Dentre as reivindicações, estão a ampliação do número de folgas, com jornadas menos extenuantes, e a limitação das madrugadas consecutivas em trabalho. Além disso, reajuste salarial de 8,5% e a aplicação deste índice nos benefícios (vale-refeição e alimentação), tomando como base diversos indicadores positivos para a indústria da aviação. Porém, a proposta patronal não passou de 6,5%.
Segundo o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Rodrigo Spader, a adesão na capital do Paraná foi representativa entre os trabalhadores que estavam escalados para o horário. "Estimamos que mais de 50 pessoas tenham participado. Conseguimos ainda mobilizar aqueles que estavam de folga para dar apoio à mobilização. Ainda assim, conseguimos manter o mínimo de 80% dos trabalhadores em operação, conforme determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST)", relatou. No principais aeroportos do restante do País, de acordo com ele, a adesão também foi maciça. "Isso demonstra a insatisfação geral."
A Fentac, que representa os aeronautas, decidiu após assembleia à tarde suspender temporariamente o movimento de paralisações nos aeroportos brasileiros pelo menos até hoje, quando acontece uma audiência de conciliação entre trabalhadores e empresas no TST, em Brasília, marcada para as 14 horas.
As assembleias organizadas pela Fentac aconteceram em pelo menos seis cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Campinas (SP) e Belém. De acordo com o presidente da federação, Sergio Dias, o estado de greve continua e, se as negociações não avançarem, um novo cronograma de paralisações será definido.
O Sindicato Nacional dos Aeroviários informou, por meio de sua assessoria, que optou por fazer consultas aos trabalhadores sobre os atos de ontem e não uma assembleia única. A entidade reforçou que uma decisão sobre os próximos passos da categoria só será tomada hoje, após a audiência de conciliação. (Com Agências)

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