Desavisados sobre a greve dos funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), muitos usuários de Londrina percorreram longas distâncias para se deparar com portas fechadas na agência Shangri-lá, na manhã de ontem. Os servidores do INSS em Londrina aderiram à paralisação nacional na segunda-feira e estão mantendo atendimento parcial.
''Moro há 50 quilômetros, tive que enfrentar ônibus apertado, pagar passagem cara, tudo para chegar aqui e ouvir que 'provavelmente a greve acaba até o mês que vem'', revoltou-se Creuza Aparecida Dourado, 39 anos, moradora do distrito de Lerroville que não conseguiu renovar a procuração para receber o auxílio-doença pelo tio, de 75 anos.
Situação parecida enfrentou o pedreiro aposentado Antônio Alves Neves, 64 anos, do Conjunto União da Vitória (Zona Sul). ''Fui pego de surpresa. O pior é que a procuração da minha esposa já venceu e ela não poderá receber os R$ 300,00 de auxílio este mês. Se soubesse que ia ter greve, não tinha pago minhas contas ontem pra ficar sem dinheiro agora'', lamentou o aposentado. A lavradora Maria Deusemir, 58 anos, da vila rural de Irerê, pede que o governo e os servidores em greve pensem nos mais necessitados.
''Meu filho tem problemas mentais e está com o cartão de benefício bloqueado. Acho que a greve não é muito justa, pois a gente que é pobre precisa desse dinheirinho do INSS'', apelou.
A chefe de Benefícios do INSS em Londrina, Cristina Mello, informou que a agência Shangri-lá manteve ontem três funcionários para atender usuários com perícias agendadas e casos mais urgentes, como pedido de pensão, auxílio-doença, auxílio-reclusão, e auxílio-idoso. ''Como o movimento foi tranquilo, a maioria foi atendida'', avaliou. Cristina explicou que usuários que dependem de procuração para receber benefícios ainda este mês, como Antônio Neves, têm o atendimento garantido. Ela disse que iria verificar por que isso não ocorreu.
Na agência da Rua Professor João Cândido (Centro), segundo a chefe, as portas estão abertas, mas o atendimento também é parcial. Ela disse temer que o atendimento fique mais complicado caso haja um inchaço no número de usuários a partir de hoje. Por isso, recomenda que os cidadãos procurem os Correios, se possível. ''Todos os benefícios podem ser habilitados nos Correios. Fica garantida a data de entrada do requerimento do beneficiado durante a greve'', frisou.

mockup