Londrina - Mais de 70% dos 3,6 mil servidores técnicos-administrativos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) cruzaram os braços ontem em protesto pela falta de sinalização do governo estadual em implementar o novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). No campus, nenhum dos 1,6 mil professores deu aula. Os docentes cobram reajuste salarial e equiparação do piso do professor em início de carreira (R$ 1,8 mil) com os servidores com nível superior (R$ 2,3 mil).
O dia de protesto gerou uma série de transtornos nos hospitais da instituição. O pronto-socorro do Hospital Universitário (HU), por exemplo, ficou fechado por mais de duas horas. Nesse período apenas casos de trauma e urgência foram atendidos. Na recepção foi deixado um único funcionário e, internamente, houve revezamento de auxiliares, enfermeiros e médicos.
''Houve a abertura depois de pedidos da diretoria. Nosso compromisso foi de paralisar sem prejuízos em exames, medicação e cuidados especiais aos pacientes'', revelou o secretário-geral do Sindicato dos Servidores (Assuel), Adão Brasilino.
A espera por atendimento chegou a mais de oito horas. O aposentado Francisco Ramos, que tem diabetes, chegou a desmaiar no local. ''Ele estava reclamando de tontura, fraqueza e desmaiou aqui'', revelou a filha dele, Elizabete Maria Ramos. Eles haviam chegado às 7 horas e até as 15h30 não tinham sido atendidos.
A essa hora o pronto-socorro estava com 63 pacientes, mas o setor foi projetado para 48 pessoas. A reportagem constatou 36 pessoas (acompanhantes e pacientes) do lado de fora à espera de uma consulta. Um estudante de quatro anos do Instituo Londrinense de Educação para Crianças (Ilece) chegou desacordado depois de sofrer uma convulsão - o paciente foi colocado às pressas para dentro do PS. Ana Maria Ribeiro acompanhava o filho de 14 anos, que sofreu paralisia cerebral quando era criança e vive em uma cadeira de rodas. O garoto esperava havia quase duas horas e a dona de casa teve que implorar por atendimento. ''Ele está chorando e demonstra muita dor. Ele está com febre e vomitando muito'', lamentou.
No Hospital de Clínicas, onde pacientes são atendidos mediante agendamento, também houve demora. Ana Maria Ribeiro chegou a esperar bastante por uma consulta marcada há três meses com neurologista. ''Foram duas horas e meia de espera'', disse a costureira.
Alguns pacientes foram deixados no acostamento da PR-445 porque servidores montaram piquetes nas entradas do campus da UEL. Houve longo congestionamento nas avenidas Castelo Branco e Aniceto Espiga.
Os servidores prometem fazer novo protesto na próxima quarta-feira, mas desta vez a manifestação ocorrerá em Curitiba. ''Hoje, o servidor não tem progressão na carreira e sem isso ele fica estagnado na função. Queremos que o governo volte a negociar essa questão'', explicou o presidente da Assuel, Marcelo Seabra.
Os docentes da UEL vão esperar até o dia 20. ''O governo abriu novo diálogo com os professores, mas queremos uma resposta. A categoria está insatisfeita e não descarta a greve'', salientou o diretor do Sindicato dos Professores (Sindiprol), Sinival Pitaguari.

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