A greve dos juízes federais afetou ontem mais de duas mil pessoas em Curitiba. De acordo com os organizadores do movimento, os 30 magistrados da capital deixaram de proferir mais de 90 sentenças e emitir 1.050 despachos nas varas federais. Além disso, mil pessoas tiveram suas audiências atrasadas com a paralisação de uma hora das juntas e do Tribunal de Trabalho da cidade. ‘‘A manifestação foi uma maneira de os juízes mostrarem à população as dificuldades que vivenciam’’, afirmou a delegada da Associação dos Juízes Federais do Paraná, Gisele Lemke.
Até o fim da tarde, Gisele não tinha o balanço final da manifestação no Estado e no resto do País. Mas, mesmo assim, ela afirmou que o movimento teve grande adesão. ‘‘Depois das afirmações do presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, a classe se agrupou e se fortificou’’, disse, citando a proposta do senador de uma CPI para investigar o Judiciário. Ela afirmou que a maioria dos processos que tramitam na Justiça é resultado de medidas do próprio governo. Ela considera que as constantes mudanças nas leis, como forma de apoiar as ações governamentais, acabam desembocando nos tribunais.
O presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho do Paraná (Amatra-PR), Arion Mazurkevic, vai mais longe e inclui entre culpados do desmantelamento do Judiciário o poder Legislativo. ‘‘Recentemente, o governo alterou por meio de medida provisória, que transitou no Congresso, o prazo da ação rescisória’’, disse. Com esta medida, as ações contra a União podem, num período de quatro anos, sofrer novo recurso, mesmo depois da sentença final (ou transitado em julgado), ‘‘jogando para outras gerações os erros cometidos pelas atuais administrações’’, acusou Mazurkevic.
Os cinco juízes federais de Foz do Iguaçu aderiram ontem à paralisação nacional. Durante todo o dia, eles mantiveram um plantão para avaliar apenas os casos urgentes, como habeas corpus e pedidos de fiança. Até as 17 horas, havia sido expedida somente uma medida - um alvará de soltura de um homem que estava preso na Polícia Federal.
Segundo o diretor do Foro da Justiça Federal na cidade, os processos acumulados em decorrência da greve de ontem deverão ser avaliados até amanhã. ‘‘Essa paralisação de hoje não vai comprometer nosso trabalho’’, afirmou. A Justiça Federal de Foz é dividida em quatro varas - duas cíveis e duas criminais. Devido à localização de Foz do Iguaçu, na fronteira com Paraguai e Argentina, a maioria dos processos se refere a tráfico internacional de drogas e contrabando.

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