Paraíba vai privatizar banco estadual
João Pessoa, 12 (AE) - O governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB), anunciou hoje que o Banco do Estado da Paraíba (Paraiban), avaliado extraoficialmennte em US$ 70 milhões, será colocado à venda. O governador já autorizou o Banco Central a iniciar o processo de privatização da instituição, que será substituído por uma agência de desenvolvimento. "Só venderemos o banco quando o negócio for vantajoso para a Paraíba", disse Maranhão.
A decisão de vender o Paraiban foi tomada após o governo constatar que não há outro caminho a seguir, porque o BC não dá espaço para bancos estaduais crescerem. "Nem o governo de São Paulo resistiu às pressões do Banco Central", disse o governador, ao comentar que o lucro líquido do banco paraibano no ano passado foi de R$ 6,5 milhões. No primeiro semestre deste ano já apresentou lucro de R$ 3,8 milhões.
O Paraiban tem 8 agências, das quais 3 estão em João Pessoa. Com 300 funcionários e cerca de 5 mil clientes, o banco foi liquidado extrajudicialmente em 1990, no governo do ex-presidente Fenando Collor, e reaberto em setembro de 1993. o Paraiban está enquadrado nas regras exigidas de capital mínimo, apresenta boa liquidez, não tem passivos ocultos, e seu patrimônio líquido deverá refletir o valor de venda, avaliou o governador.
Pela primeira vez uma instituição financeira será privatizada sem aporte de recursos da União. O governador confirmou que o banco vai dispensar a utilização do Progrma de Incentivo à Redução do Sistema Financeiro Estadual (Proes). "O Paraiban é um banco enxuto", disse Maranhão.
Para o secretário estadual da Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, José Fernandes Neto, a privatização do Paraiban será um grande passo para modernização do Estado, uma vez que vários órgãos de fomento à economia paraibana serão fundidos num só. Mas para o presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Israel Guedes Ferreira, a venda do Paraiban será um desastre. "Se FHC não tem condições de defender a soberania nacional, imagine o governo paraibano, reconhecidamente dependente de recursos finaceiros", disse Ferreira.





