Cerca de mil paraguaios fecharam ontem a Ponte da Amizade, ligação do Brasil com Paraguai, em protesto contra as crises econômica e política e pela reforma na ponte (ver texto na página). Os manifestantes impediram a passagem de veículos nos dois sentidos da pista. Apenas pedestres conseguiram cruzar a fronteira. Até as 17 horas, eles mantinham a palavra de liberar a via somente com o cumprimento das exigências feitas ao governo federal.

O protesto começou às 9 horas quando vendedores ambulantes, camelôs, taxistas e sindicalistas bloquearam a aduana, em Ciudad del Este (vizinha de Foz do Iguaçu). Depois montaram uma barreira no meio da ponte. Com bandeiras do Paraguai e cartazes em punho eles exigiram um plano de emergência para socorrer o comércio local. Após meia hora, retornaram à aduana paraguaia, onde permaneceram durante a tarde.

O fechamento teve o apoio da Câmara Municipal, que emitiu uma resolução anteontem decretando estado de emergência em Ciudad del Este. O documento também convocou a população para apoiar o bloqueio na ponte o segundo realizado nos últimos dois meses. O anterior ocorreu em 17 de julho. Nos dois protestos a maioria dos lojistas fechou as portas devido ao fraco movimento de sacoleiros.

Os trabalhadores querem uma reunião com os ministros da Justiça e do Trabalho, Silvio Ferreira; Indústria e Comércio, Euclides Azevedo; e Obras Públicas, Alcides Gimenez. A presença das autoridades na fronteira é aguardada para hoje quando os organizadores da manifestação tentarão obter garantias para impulsionar a economia local prejudicada com a redução da cota de compras de US$ 250 para US$ 150, no ano de 1995.

Os paraguaios querem que o governo afrouxe a fiscalização na fronteira, implante a zona franca em Ciudad del Este, permita o trabalho de ambulantes na região aduaneira (a prática foi impedida para agilizar o tráfego na área). A lista de exigências inclui ainda o fim de uma suposta corrupção dos fiscais da Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP) órgão equivalente à Receita Federal, além da saída do presidente Luiz González Macch.

Outro alvo do manifesto foi a concorrência por trabalho. Conforme o presidente da Câmara Municipal de Ciudad del Este, Pedro Farias, dos 6,2 mil postos de trabalho na cidade, perto de 5 mil (80%) seriam ocupados por brasileiros. O vereador afirmou não ser contra a disputa, mas fez a seguinte observação: ''Todos os estrangeiros devem respeitar as regras tanto para trabalhar, como residir no Paraguai.'' Um dos coordenadores do manifesto, Luiz Moriz, lembrou que estrangeiros deveriam ocupar 10% das vagas.

O protesto, sem registro de incidentes, foi acompanhado por quase 30 soldados do pelotão de choque da Polícia Nacional e por 15 homens do Exército. O efetivo não interferiu no bloqueio porque autoridades do departamento (Estado) de Alto Paraná estariam apoiando a iniciativa dos manifestantes.

Ciudad del Este vive desde 1957 do comércio indiscriminado de produtos eletrônicos, cigarros, perfumes, uísques, cervejas, entre outros.

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