Paraguai teme efeitos do bug do ano 2000
Assunção, 01 (AE-IPS) - O Paraguai não se recuperará até o final de 2001 dos efeitos do bug do ano 2000. A previsão foi feita por Walter Schafer, assessor do presidente Luis González Macchi. Schafer é o responsável pela comissão que estuda meios de impedir que ministérios e organismos estatais entrem em colapso por causa do bug.
O orçamento para corrigir eventuais problemas ainda não foi apresentado. Schafer substitui a Comissão Executora (CEA 2000), criada em 30 de abril e dissolvida em setembro porque não foi capaz de elaborar nenhum projeto consistente neste sentido. A responsabilidade passou da CEA 2000 para os chefes dos departamentos de informática de cada organismo oficial.
Schafer disse que priorizará os setores da eletricidade, telecomunicações e finanças. Eles constituem 70% dos sistemas críticos estatais, dos quais depende o resto. Todavia, ele informou que os orgãos estatais vão continuar funcionando de maneira crítica, "quando não de forma manual". E acrescenta: "a correção de alguns problemas depende de recursos que o governo não possui ou que não foram aprovados".
A estatal Administração Nacional de Eletricidade (Ande), realiza campanha pela televisão e rádio tranquilizando as pessoas. O governo garante que adquiriu um programa, chamado Open, de uma empresa espanhola para contra-atacar o bug. Félix Kemper, ex-membro da CEA 2000 garante que o programa só serve para o setor de faturamento. Uma das medidas que a Ande tomou para garantir o salário dos funcionários por seis meses, a partir de 2000, foi deixar as planilhas prontas antecipadamente.
Schafer pediu ao presidente González Macchi fundos para financiar uma auditoria completa nos escritórios públicos. Esse trabalho seria feito pela Garnet Group, dos Estados Unidos, e os resultados poderiam sair ainda este mês. Os planos de contingência devem estar prontos até 15 de dezembro.
Há documentos com o governo, não divulgados publicamente, dando conta que os sistemas de telecomunicações do país podem entrar em colapso. Outros acham até que os elevadores dos prédios ou mesmo o ar condicionado não suportem o bug.
A grande preocupação dos paraguaios reside no impacto que o bug pode ter sobre o sistema financeiro. A Superintendência dos Bancos não confirmou a realização dos exames finais das entidades bancárias junto ao Banco Central. O estatal Banco Nacional de Fomento (BNF), que fornece créditos a industriais e agricultores, por exemplo, limitou-se a comprar uma rede de caixas automáticos para seus clientes.
O BNF foi informado pelo seu departamento de informática que seu sistema não estava preparado para o bug. Os cartões de crédito e bancários dos paraguaios são ligados a 16 bancos, liderados pelo Citibank. Estes já estão preparados para o bug. O problema está em que os cartões bancários de professores e aposentados pertence ao BNF.





