Sucursal de Foz do Iguaçu

Jornal Notícias/ParaguaiBarradosO presidente da Comissão de Defesa do Congresso, deputado Sérgio Lopez, o juiz Leonardo Ayalas Balmoris e a promotora Norma Gamarra de Martinz foram impedidos de entrar na sede Terceira Divisão de Infantaria e no Centro de Recutamento, em Ciudad del Este. Os soldados só permitiriam a entrada após autorização expressa do comandante geral do ExércitoO Paraguai começou a investigar a convocação de menores de idade para servir nos quartéis das Forças Armadas. De acordo com denúncias do deputado Juan Carlos Ramirez Montalbetti, o Exército paraguaio está recrutando menores em cidades do interior do país com caminhões e ‘‘descarregando’’ nos quartéis de Ciudad del Este, na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Nos últimos quatro anos, segundo levantamentos feito pelos deputados, 69 soldados morreram em treinamentos militares. Além disso, pesa sobre as Forças Armadas denúncias de castigos que deixaram vários menores com graves consequências físicas. Isso provocou baixa no número de alistamentos, fazendo com que os quartéis forçassem a convocação de menores de idade para servir.
Um dos casos levantados é do soldado Leonardo Cubilla, de 15 anos, que no dia 10 desse mês sofreu queimaduras graves durante a execução de trabalhos na Olaria Militar do Terceiro Corpo do Exército. Em outro caso, o menino Antonio Bianco, de 13 anos, foi recrutado para o serviço militar a partir da falsificação de documentos.
Ontem, o presidente da Comissão de Defesa do Congresso, deputado Sérgio Lopez, o juiz Leonardo Ayalas Balmoris e a promotora Norma Gamarra de Martinz foram barrados na Terceira Divisão de Infantaria e no Centro de Recutamento, em Ciudad del Este. Os soldados só permitiriam a entrada deles com autorização expressa do comandante geral do Exército em Assunção, general Sílvio Rafael Nogueira.
A atitude da divisão militar na fronteira provocou mau estar no governo do Paraguai. O magistrado estava levantando informações de que o quartel de Ciudad del Este também estava fazendo o recrutamento de meninos. ‘‘Em alguns casos, meninos encontradaos na rua e sem documentos encontrados são levados direto para os quartéis’’, disse a Folha o deputado federal Bernardo Álvares.
O mesmo deputado disse que a denúncia é preocupante e que as Forças Armadas ainda tem atitudes como nos tempos do regime militar. ‘‘Isso é um sequestro de meninos, que na maioria das vezes está estudando ou trabalhando para ajudar as famílias’’, disse.
O deputado Ramirez disse que vai pedir a abertura de um comissão especial para investigar o assunto através do Congresso. Ele entregou para a imprensa um relatório contendo 13 nomes de menores de idade, entre 13 e 17 anos, que foram parar nos quartéis através de convocação forçada.

mockup