Assunção, 26 (AE-REUTERS) - O governo paraguaio reagiu duramente contra uma "desqualificação" sem sanções outorgada nesta sexta-feira (26) pelos Estados Unidos por sua escassa cooperação na luta contra as drogas.
"O governo da República do Paraguai não outorga a nenhum Estado faculdades nem atribuições para julgar ou condenar outro Estado... apesar de compreender a preocupação dos Estados Unidos... por ser seu o maior mercado para as drogas no mundo", disse um comunicado da presidência.
"O governo da República do Paraguai reitera mais uma vez seu rechaço ao processo unilateral de certificação realizado... em flagrante contravenção ao princípio da igualdade jurídica das nações", acrescenta o documento.
A administração do presidente Raúl Cubas, há seis meses no poder, embarcou há dias em uma campanha que ressaltava "grandes conquistas" na questão antidrogas.
Além da cooperação na matéria antidrogas, elementos políticos teriam incidido na desqualificação do Paraguai, segundo analistas.
Cubas tem frequentes atritos com a missão diplomática norte-americana em Assunção devido à sua fidelidade ao ex-general golpista Lino César Oviedo, mantido livre por decreto presidencial de uma condenação de 10 anos de prisão por tentativa de golpe de estado, contrariando uma decisão da Corte Suprema.
O comunicado concluiu que "a decisão dos Estados Unidos... não mudará a firme determinação do governo do Paraguai de seguir lutando tenazmente contra esse flagelo... priorizando a certificação que possa receber de seu povo".
O chefe antidrogas local, Ricardo Villamayor, disse por sua parte que a desqualificação é simplesmente "um alerta para uma melhor coordenação e um melhor trabalho" por parte dos paraguaios.
O Paraguai conseguiu a "certificação" somente em 1997, depois de sancionar leis que punem as transações financeiras com dinheiro sujo. Nos demais anos, integrou listas de observação prioritária.

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