Assunção, 03 (AE-AP) - O Paraguai chamou hoje (03) de volta sua embaixadora em Buenos Aires, Leila Rachid, em protesto contra a decisão argentina de não extraditar o ex-general golpista Lino Oviedo.
Na véspera, a embaixadora no Uruguai, Julia Velilla, também fora chamada de volta por causa da negativa uruguaia de extraditar o ex- ministro da Defesa José Segovia.
"Estamos chamando nossa embaixadora em Buenos Aires para consultas e ela chegará esta noite ou amanhã de manhã", anunciou o chanceler Miguel Saguier. "Temos complicações em nossas relações (com a Argentina e o Uruguai). Há uma incompreensão em relação à realidade democrática que vive nosso país."
O governo também convocou o embaixador argentino em Assunção para entregar um protesto formal.
O presidente argentino, Carlos Menem, disse não entender a decisão paraguaia: "Primeiro expulsaram Oviedo do Paraguai e agora pedem sua extradição." Ele desmentiu versões de que Oviedo seja seu protegido. "Isso é tolice."
A Justiça paraguaia quer julgar Oviedo como suposto mentor do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, em março. O crime revoltou o país e forçou o presidente Raúl Cubas a renunciar e a refugiar-se no Brasil. Oviedo asilou-se na Argentina, que rejeitou quinta-feira, por "razões humanitárias", sua extradição - embora ameace expulsá-lo se ele se meter na política.
Revoltados, 2 mil paraguaios apedrejaram a embaixada argentina. O ministro da Defesa, Nelson Argaña, filho de Luis María, também não conteve a indignação, qualificando Menem de "sem-vergonha".

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