Paraguai promete Ponte da Amizade aberta
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quarta-feira, 22 de março de 2006
Denise Chrispim Marin<br>Agência Estado 
Brasília- O governo paraguaio deu garantias ontem ao Brasil de que não haverá mais bloqueios da Ponte da Amizade, que liga os dois países, na região de Foz do Iguaçu. Em contrapartida, arrancou do governo brasileiro o compromisso de implementar um acordo mais amplo sobre a região de fronteira, assinado em abril de 2005.
O Paraguai conseguiu ainda conter as pressões da Receita Federal do Brasil para que a cota de importação isenta de impostos fosse reduzida dos atuais US$ 300 para US$ 150 - tema crucial para os comerciantes paraguaios fornecedores aos sacoleiros brasileiros.
A garantia de desbloqueio da Ponte da Amizade partiu do vice-ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Emílio Gimenez, que liderou a equipe de seu país nas negociações que ocorreram nos últimos dois dias no Itamaraty. O chefe da delegação brasileira, embaixador José Eduardo Felício, subsecretário de Assuntos de América do Sul do Itamaraty, informou que dia 28, em Foz do Iguaçu, será feita a primeira reunião do Grupo de Trabalho Brasil-Paraguai, que tratará das medidas de cooperação previstas no acordo.
O objetivo desse acordo é promover a reconversão econômica da fronteira, com a industrialização do lado paraguaio e o foco também no desenvolvimento do turismo, a partir da mudança da imagem da região.
Uma das medidas que será analisada terça-feira é a execução, do lado paraguaio da Ponte da Amizade, de obras para organizar o trânsito de pedestres e de veículos, como as que estão em fase de finalização do lado brasileiro. O custo dessas obras atingirá US$ 3 milhões.
Outro tópico será a adoção de regras de controle, pelas aduanas dos dois países, da emissão de notas fiscais. Mais polêmica será a avaliação das apreensões de veículos irregulares paraguaios por autoridades brasileiras no início de março - fato que gerou o bloqueio da ponte por manifestantes do Paraguai, elevou a tensão diplomática entre os dois países e precipitou as negociações no Itamaraty.
O terceiro dia do bloqueio da Ponte da Amizade, deixou Ciudad Del Este, no Paraguai, completamente paralisada. O prefeito Ernesto Javier Zacarias Irún calculou um prejuízo de cerca de US$ 200 milhões.


