Curitiba, 07 (AE) - O ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Guillermo Caballero Vargas, disse nesta segunda-feira (07) que a desvalorização do real também precisa ser entendida como uma oportunidade para que os países do Mercosul estudem a "necessidade de convergir as políticas macroeconômicas".
Segundo ele, sem um mínimo de convergência será impossível a integração que se pretende. Caballero Vargas participou, em Curitiba, da reunião do Conselho Empresarial Brasil-Paraguai.
O ministro paraguaio disse que seu país foi "gravemente afetado" pela desvalorização cambial brasileira. De acordo com ele, houve redução de mais de 50% nas exportações paraguaias. "Por outro lado, houve forte entrada de produtos brasileiros."
Mas o diretor-geral do Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Roberto Jaguaribe, rebateu dizendo que "a desvalorização do real não foi o dado marcante do comércio com os países do Mercosul". Segundo o representante brasileiro, se isso fosse verdade, "o Brasil teria aumento significativo nas exportações para os países vizinhos".
Jaguaribe disse que, na verdade, houve uma redução geral de mais de 30% nas exportações e, particularmente para o Paraguai, a diminuição foi de 40%. "O que houve foi o resultado de uma expectativa de situação negativa, que não se realizou, somado à situação interna em cada um dos países, um pouco complicada do ponto de vista de desenvolvimento econômico", analisou.
Caballero Vargas argumentou, entretanto, que os problemas ainda estão sendo sentidos no Paraguai. "Hoje, por exemplo, a indústria de açúcar paraguaia está totalmente paralisada devido à invasão legal e ilegal, mais ilegal que legal", disse. "E isso tem sua importância, sobretudo no caso paraguaio, que tem 50% de seu comércio ligado ao Brasil."
O ministro reforçou a necessidade de que empresas do Mercosul trabalhem para a formação de joint-ventures, com vistas ao mercado internacional, e convidou empresários brasileiros a investirem no Paraguai. "Nos propomos a colocar para consideração dos empresários uma série de setores de industrialização que o Paraguai pode oferecer com vantagens comparativas", disse.
Segundo ele, a "nova etapa política do país pode ser também nova etapa econômica." Entre as possibilidades apresentadas no encontro pelo ministro de Obras Públicas e Telecomunicações do Paraguai, José Alberto Planás, está o programa de privatização.
Segundo ele, há consenso entre os partidos que governam o país sobre a necessidade de que todos os serviços precisam ser entregues à iniciativa privada, embora ainda não esteja definida a forma nem os prazos para fazê-lo. Ele acredita que o primeiro serviço a ser privatizado seja a malha rodoviária de 2.500 quilômetros.

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