Paraguai garante retorno de brasileiros
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O governo paraguaio deve implantar hoje um posto avançado da Polícia Nacional e do Instituto do Bem-Estar Rural (IBR, equivalente ao Incra) em Puerto Índio, localidade paraguaia no município de Mbáracayu (leste do Paraguai), para preparar a volta dos brasiguaios expulsos de suas terras pelos campesinos (sem-terra paraguaios).
O anúncio foi feito numa reunião realizada anteontem, em Assunção, que contou com a presença dos líderes dos brasiguaios acampados há duas semanas em Foz do Iguaçu, do ministro do Interior do Paraguai, Walter Bower e representantes do alto comando da Polícia Nacional em Alto Paraná.
Bower assegurou que até segunda-feira, o Estado paraguaio garantirá o retorno pacífico das 100 famílias que estão exiladas há dois meses em Foz do Iguaçu e Santa Helena (oeste).
As autoridades paraguaias também assumiram o compromisso de analisar a situação legal das propriedades dos brasiguaios, através de uma averiguação completa dos títulos de posse dos imigrantes que será feita pelo IBR até o final deste ano.
Fomos muito bem recebidos e confiamos que todas as promessas sejam realmente cumpridas, afinal estamos lutando por um direito que conquistamos há muito tempo, disse Lindomir Bernardi, brasiguaio que esteve na audiência em Assunção. O ponto negativo foi a ausência da diplomacia brasileira na reunião e em todas as negociações. Agora já sabemos que não podemos contar com eles, afirmou.
Na audiência, Bower declarou que o assentamento dos campesinos em outras áreas será feito gradativamente, de acordo com a disponibilidade dos escassos recursos que o país tem para desapropriar terras para a reforma agrária.
Até atingir a meta, o governo paraguaio deve abrir uma linha de crédito para ressarcir parte dos prejuízos dos brasileiros com a ação dos campesinos, que invadiram, saquearam e destruíram construções de 38 famílias na região de fronteira.
Ontem, a representante da Federação Internacional dos Direitos Humanos, Françoise Mathe, advogada francesa que está no Paraná elaborando um capítulo do relatório da entidade sobre a questão agrária no Brasil, colheu depoimentos dos brasiguaios que estão acampados a 200 metros da Ponte da Amizade (que liga Foz a Ciudad del Este, no Paraguai).
Ela ouviu os relatos dos agricultores, que além de sofrer a violência dos campesinos, reclamam da perseguição e do preconceito da polícia e do Judiciário paraguaio em relação aos imigrantes brasileiros.
A visita a Foz foi agendada pela própria ativista, sensibilizada com os relatos de ex-brasiguaios feitos em acampamentos da região noroeste do Estado, onde estão acampados desde que retornaram ao Brasil.Ministro do Interior paraguaio afirmou em audiência que brasiguaios poderão voltar às suas terras em segurança
Ney de SouzaPela terra Brasiguaios fazem manifestação durante visita de Françoise Mathe ao acampamento próximo à Ponte da Amizade. Ao lado, a representante da Federação Internacionaal de Direitos Humanos (FIDH) ouve relato de brasiguaia





