Foz do Iguaçu, PR, 23 (AE) - Pouco mais de uma hora após o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, o ministro do Interior paraguaio, José Ruben Arias Mendoza, expediu a resolução nº 48, ordenando o fechamento de todas as fronteiras do país.
Às 11h18, no horário de Brasília (10h18 no Paraguai), cerca de 50 soldados da Polícia Nacional, do Exército e da Marinha paraguaios bloquearam a passagem de pedestres e veículos na aduana da Ponte da Amizade entre Ciuda Del Este e a paranaense Foz do Iguaçu, a principal ligação daquela país com o Brasil.
Cerca de cinco mil pessoas e dezenas de carros ficaram retidos no lado paraguaio da fronteira. No lado brasileiro, a Polícia Federal tomou a decisão de impedir a travessia por volta das 12h30. Normalmente congestionada neste horário por milhares de sacoleiros e turistas, a Ponte da Amizade ficou totalmente vazia. Alegando estar cumprindo ordens federais, os policiais paraguaios não deixavam ninguém passar em direção ao Brasil -nem mesmo mulheres grávidas, idosos e crianças.
"Estamos de mãos atadas", disse um oficial da Marinha quem não quis se identificar. A resolução 48 determinava que fossem fechadas todas as fronteiras do país, "até nova ordem". Determinava também que fossem utilizadas todas as forças policiais paraguaias no cumprimento da resolução.
No início da tarde, o cônsul brasileiro em Ciuda Del Este, Ernesto Carvalho, ameaçou ingressar com mandado de segurança na Corte Suprema do Paraguai para obter a liberação dos brasileiros retidos na fronteira. Diante da pressão, o governo paraguaio cedeu.
Às 15h, quando já havia um grande congestionamento nos dois lados da ponte, as barreiras policiais foram desfeitas e as pessoas puderam cruzar a fronteira a pé. Funcionários do consulado acompanharam o movimento. Após a passagem das cerca de cinco mil pessoas para o Brasil, o trânsito de veículos foi liberado. Os cerca de 500 paraguaios que estavam retidos no lado brasileiro também voltaram a seu país.
O tráfego voltou a ser interrompido às 17h, segundo a Polícia Federal. Até o início da noite, não havia nova previsão de reabertura.
Sem movimento, o comércio de Ciuda Del Este fechou as portas às 14h, três horas antes do horário previsto. Segundo o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes do Alto Paraná (CICAP), Charif Hammoud, com o tumulto, os brasileiros que foram á cidade ontem desistiram das compras.
Hamoud disse esperar que a crise política provocada pela morte de Argaña seja superada rapidamente, para que Ciuda Del Leste não sofra um prejuízo ainda maior daquele provocado pela crise cambial brasileira, que reduziu em 80% o movimento comercial nas cidades fronteiriças.

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