Paraguai deflagra operação de combate ao tráfico
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quarta-feira, 30 de março de 2005
Sônia Inês Vendrame<br>Agência Estado 
Foz do Iguaçu - Em uma ação inédita na fronteira, o Paraguai iniciou ontm uma operação de guerra contra o tráfico e os cigarros falsificados que deixam o país pela Ponte Internacional da Amizade e por embarcação pelo Rio Paraná. A ação na aduana em Ciudad del Este, saída para o Brasil provocou tumulto e revolta.
Sacoleiros que protestavam contra a presença policial foram expulsos pela cavalaria montada. Para intimidar os manifestantes, policiais lançavam os cavalos contra a multidão. Na tentativa de fugir para não ser pisoteado, mulheres com crianças e idosos se arriscavam entre os veículos.
Um homem que se recusou a abrir o bagageiro do carro onde estavam as mercadorias foi preso. Um cão farejador fazia buscas, enquanto soldados da Marinha com armas antimotim revistavam ônibus e motos. ''São ações rápidas. Buscamos os flagrantes para conseguir surpreender os traficantes'', disse um agente da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai. Ele pediu para não ser identificado.
A decisão de repressão ao tráfico e ao cigarro foi considerada pelas autoridades vizinhas como mais uma demonstração do presidente Nicanor Duarte Frutos de apoio ao combate desencadeado pelo Brasil desde agosto do ano passado. A ação brasileira provocou uma queda de 80% nas vendas.
Para os brasileiros que vivem do transporte de mercadorias foi mais um duro golpe contra a economia doméstica. Números usados pela Prefeitura de Foz do Iguaçu em um relatório sobre o impacto econômico aponta que 30 mil pessoas ficarão sem nenhuma renda. O número poderá ser de 90 mil, se somado a região de Alto Paraná no Paraguai e os municípios brasileiros vizinhos à fronteira.
''O Paraguai se vendeu para o Brasil e nós temos de pagar o preço gritavam''. As mais exaltadas eram as mulheres. Elas afirmaram que há mais de 15 anos transformaram o rendimento do transporte de mercadorias, na única fonte de renda da família. ''Nos submetemos a essa humilhação por não termos um trabalho digno'', revidavam aos ataques da cavalaria.
No início da manhã, os brasileiros que tentaram entrar em Ciudad del Este tiveram de enfrentar a fiscalização contra estrangeiros ilegais.
Agentes de Imigração expulsaram cerca de 200 pessoas. ''Tivemos mais sucesso que no primeiro dia'', comemorou o coordenador, Wilmar Monzon. Ele explicou que a tática agora é fazer com que os brasileiros que trabalham no comércio cheguem atrasados ao trabalho. ''Ficamos até às 10 horas. Depois liberamos quem quiser entrar, mas acreditamos que os empregadores não terão muita paciência com os constantes atrasos'', sorriu.


