Paraguai defende ajuste conjunto no Mercosul
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Isabel Braga e Tânia Monteiro 
Brasília, 11 (AE) - O presidente do Paraguai, Raúl Cubas Grau, condenou hoje a adoção de medidas unilaterais pelos países do Mercosul em razão da desvalorização da moeda brasileira. Depois de um encontro de uma hora e 15 minutos com o presidente Fernando Henrique Cardoso, Cubas ressaltou que a continuidade do relacionamento político e econômico entre o Brasil e o Paraguai "não pode se medir num prazo de meses ou semanas", e avaliou que a situação brasileira "está melhorando rapidamente".
Fernando Henrique terá amanhã (12), ao meio dia no Palácio Boa Vista - residência de inverno do governador paulista em Campos do Jordão (SP) -, encontro com o presidente argentino, Carlos Menem. Na pauta, o mesmo tema debatido com o presidente paraguaio: os problemas provocados pela desvalorização do real na economia argentina e soluções para viabilizar a continuidade do Mercosul.
Na semana passada, Fernando Henrique recebeu no Alvorada o presidente uruguaio, Julio Maria Sanguinetti, e no próximo dia 21 os quatro presidentes do bloco se reúnem no Rio de Janeiro para discutir, juntos, soluções que evitem prejuízos ao Mercosul.
"As medidas, que não devem ser tomadas unilateralmente por nenhum dos países do bloco, mas de forma conjunta, devem ser aquelas que prejudiquem o mínimo possível todos os participantes do bloco", afirmou hoje o presidente paraguaio.
Travas - Na avaliação de Cubas, o encontro do próximo dia 21 será "um sinal claro" de que o Mercosul "é ferramenta válida para o desenvolvimento da região". Além da reunião dos presidentes, Cubas afirmou que os ministros da Fazenda dos quatro países vão se encontrar para discutir medidas "mais convenientes", com cada ministro traçando uma avaliação dos efeitos da desvalorização do real sobre suas economias.
O presidente paraguaio negou que esteja tomando medidas restritivas à entrada de produtos brasileiros em seu país. "Não há nenhuma exigência nova", afirmou. Segundo Cubas, as dificuldades na entrada de produtos brasileiros no Paraguai são fruto das novas condições econômicas depois da crise brasileira. "Antes as condições econômicas não existiam e então não apareciam as supostas exigências", argumentou.
Cubas fez uma comparação com problemas semelhantes já enfrentados por seu país. "É a mesma coisa quando produtos do Paraguai têm de entrar no Brasil e, por alguma conjuntura, o fluxo de comércio aumenta desmensuradamente: também há queixas de travas para os produtos brasileiros." Segundo Cubas, são apenas "procedimentos normais" que funcionam nos países e que não há porque achar que exista algum tipo de trava ou barreira.
"Todos aqueles produtos que estão dentro do esquema do Mercosul estão circulando livremente no país."
Fernando Henrique classificou a conversa de ontem como "promissora" e ressaltou a "compreensão enorme" do presidente paraguaio em relação aos problemas econômicos enfrentados pelo Brasil. Além dos dois presidentes, participaram do encontro os ministros da Indústria e Comércio dos dois países
os dois chanceleres e o ministro da Fazenda paraguaio, Gerardo Doll.


