Paraguai critica Uruguai e abre crise no Mercosul
Montevidéu, 06 (AE-ANSA) - O presidente do Uruguai, Julio María Sanguinetti, chamou hoje, para consultas, seu embaixador em Assunção (Paraguai), Rodolfo Olavarría. Foi a forma de Montevidéu deplorar as declarações, ontem, do presidente interino do Paraguai, Juan Carlos Galaverna. Este acusa o Uruguai de manter "relações hipócritas" com seu país.
O desabafo foi originado pela decisão de Montevidéu de conceder asilo ao ex-ministro da Defesa do Paraguai, general José Felisísimo Segovia.
Para dar o tom da possível crise diplomática entre os dois países, um porta-voz do governo uruguaio informou ao jornal El País, de Montevidéu, que "nestas circunstâncias dificilmente o Uruguai poderá participar da próxima cúpula do Mercosul", marcada para junho na capital paraguaia. O Paraguai exerce a presidência pró-tempore do Mercosul, que ficará a cargo do Uruguai no próximo semestre.
Além de emitir opiniões sobre o asilo dado a Segovia, acusado de desvio de dinheiro, Galaverna também criticou o fato de o governo de Sanguinetti mandar condolências ao então presidente, Raúl Cubas, quando seu vice, Jose María Argaña, foi assassinado.
Em comunicado oficial, a presidência uruguaia deplorou as declarações do governo paraguaio e informou que o vice-chanceler do Uruguai, Roberto Rodríguez Pioli "participou dos funerais de Argaña e transmitiu à família, ao governo e ao povo as condolências" pelo episódio. Além de chamar seu embaixador para consultas, Montevidéu também convocou a embaixadora paraguaia no país, Julia Velilla, para transmitir seu mal-estar com as declarações de Galaverna.
Como se não bastassem os problemas criados com o governo do Uruguai, Galaverna voltou hoje sua metralhadora giratória contra o embaixador argentino em Assunção, Néstor Ahuad, em vias de ser substituído. Galaverna acusa Ahuad de ser um colaborador do general Lino Oviedo, atualmente vivendo na Argentina.
Perguntado pela emissora de rádio ¥anduti se houvera a participação da embaixada argentina na crise que redundou na queda do ex-presidente Raúl Cubas, Galaverna disse um sonoro "não". Ahuad, por sua vez, nada falou sobre suas ligações com Oviedo mas limitou- se a dizer que não merecia as acusações de Galaverna.
Fontes da Interpol na Argentina disseram hoje que o organismo recebeu pedido de captura internacional do general de reserva, Lino Oviedo, atualmente exilado na Argentina. Oviedo é acusado de homicídio doloso qualificado e lesões pelo juiz paraguaio Jorge Bogarín González.
Oviedo, que liderou uma tentativa de golpe de Estado em 96, obteve asilo argentino depois de fugir do país quando começou o processo de destituição de Cubas, atualmente morando em Florianópolis (SC). A Interpol informou que o assunto agora cabe à Justiça e Chancelaria da Argentina porque o general é exilado político.





