Paraguai caça assassinos de vice-presidente
Assunção, 23 (AE-REUTERS) - Pistoleiros mataram a tiros hoje (23) o vice-presidente paraguaio, Luis Maria Argaña. O Paraguai fechou suas fronteiras e lançou uma caça aos assassinos de um homem que estava envolvido numa amarga luta pelo poder com o presidente Raul Cubas.
Três ou quatro homens com uniformes militares fecharam na manhã de hoje com um carro o Jeep de Argaña numa rua de Assunção, lançaram uma granada e fizeram dezenas de disparos. O corpo de Argaña foi cravejado com 10 balas. Seu motorista também morreu, mas um guarda- costas sobreviveu.
A polícia informou que encontraram a carcaça carbonizada do carro usado no ataque, mas os atacantes não haviam sido identificados.
Cubas, que está ameaçado com impeachment pela facção rival de Argaña no governista Partido Colorado, disse que havia fechado o aeroporto e "aviões e helicópteros da força aérea estão cobrindo todo o país... Pedimos ajuda à polícia de outros países no caso de eles conseguirem cruzar a fronteira".
Mas ele parecia culpar parcialmente seu ex-vice por não ter aceito uma guarda oficial: "Infortunadamente, o doutor Argaña usava sua própria segurança pessoal e não podíamos oferecer a ele a oficial".
Cubas pediu aos 5 milhões de paraguaios para "manterem a calma" em meio a uma atmosfera de crescente tensão.
Mas seguidores de Argaña colocaram a culpa em Cubas, da mesma forma que a oposição política. Homens de Argaña detêm os principais postos no Partido Colorado enquanto a facção rival de Cubas é liderada pelo condenado líder golpista e ex-comandante do exército Lino Oviedo.
"Cubas é responsável. Não sei quem é o autor material desse crime ou quem o planejou, mas ele é resultado da ideologia violenta a que esta sociedade é submetida permanentemente", afirmou o senador colorado Juan Carlos Galaverna, um político próximo a Argaña.
O líder sindical Alan Flores disse que iria convocar uma greve geral a partir da meia noite de hoje, até que Cubas renuncie. "Nossa posição é declarar uma greve geral até que este presidente assassino saia".
Vizinhos do Paraguai e Washington se expressaram chocados com o assassinato. O porta-voz do Departamento de Estado americano, James Rubin, afirmou que seu governo "condena firmemente" o crime e acredita que não "há lugar para violência no processo democrático".
O Paraguai tem ficado para trás em relação a muitos de seus vizinhos na consolidação da democracia e nas reformas econômicas. O Partido Colorado, que tem se mantido no poder por meio século, tem uma temerária reputação de corrupção e truculência.
Argaña, 66 anos, era uma autoridade tão destacada na ditadura do Partido Colorado do general Alfredo Stroessner - que governou de 1954 até um golpe em 1989 - que ele foi apelidado de "O Príncipe" e considerado o sucessor do velho general.
Ele acabou tornando-se um ministro dos militares que abriram caminho para a democracia e no ano passado disputou as primárias presidenciais do Partido Colorado. Ele perdeu para Oviedo, o ex- comandante do exército que tentou derrubar o então presidente Juan Carlos Wasmosy em 1996.
Oviedo foi então desqualificado da disputa presidencial por causa de uma sentença de 10 anos de prisão que recebeu por causa da tentativa de golpe de 1996. Cubas assumiu a cabeça da chapa e venceu, sendo que Argaña tornou-se automaticamente seu vice. Em agosto, Cubas libertou Oviedo.
Desde então, a rivalidade vinha sendo feroz. Na semana passada a sede do partido foi tomada à força por seguidores de Oviedo depois que a facção de Argaña tentou votar pela permanência dela indefinidamente nos postos partidários.
Um tribunal determinou a devolução do prédio para os seguidores de Argaña na segunda-feira e o presidente do Partido Colorado, Bader Rachid, emitiu um comunicado hoje culpando Cubas pela morte de Argaña:
"O Partido Colorado condena severamente esse ato repugnante e responsabiliza o poder executivo, e o movimento político por trás dele, por ele".
Oviedo tem repetidamente ameaçado usar a violência contra rivais do Partido Colorado e juizes da Suprema Corte que ordenaram que ele voltasse para a prisão. Cubas está furioso com iniciativa de homens de Argaña no Congresso para conseguir seu impeachment por supostamente violar a constituição ao recusar-se a mandar Oviedo de volta para a prisão.
Mas Cubas disse que não está poupando esforços para capturar os assassinos de Argaña e que pediu ajuda ao principais parceiros do Paraguai no Mercosul, Brasil e Argentina.
Ele declarou três dias de luto oficial por Argaña.
O crime foi um dos mais sangrentos assassinatos na usualmente calma capital paraguaia desde que o ex-ditador nicaraguense Anastasio Somoza foi morto numa emboscada promovida por guerrilhas esquerdistas em 1980. O carro de Somoza foi atingido por um tiro de bazuca e metralhado.





