Foz do Iguaçu - O Departamento de Migração do Paraguai barrou ontem a entrada de estrangeiros sem documento em Ciudad del Este, fronteira com Foz do Iguaçu. A fiscalização surpreendeu muitos sacoleiros, turistas e trabalhadores, acostumados ao trânsito livre na Ponte da Amizade.
Pelo menos 800 pessoas retornaram ao Brasil, um número bem abaixo do movimento diário de 15 mil pedestres e 19 mil veículos, mas suficiente para agravar o já tumultuado trânsito aduaneiro. Vários sacoleiros reclamaram da medida, em especial aqueles residentes em outras cidades da região.
A vistoria foi realizada na aduana paraguaia. Os agentes exigiram carteira de identidade ou visto de imigrante para quem atravessou a fronteira a pé, de carro, moto ou ônibus. Já os trabalhadores tiveram que apresentar o cartão de migração. Os principais atingidos foram brasileiros, chineses, árabes e argentinos. -
A fiscalização foi centralizada pela manhã durante dez minutos de cada hora (das 7 horas às 12 horas). À tarde, a amostragem foi ínfima. Segundo o diretor do Departamento de Migração, Carlos Aquino, a triagem aumentará ‘‘gradativamente até tornar-se uma prática comum’’.
Conforme Aquino, o cerco, além de barrar estrangeiros ilegais, resultou na apreensão de quase 30 documentos falsos. ‘‘Isso (a vistoria) vai ocorrer com frequência, pois está prevista na lei de migração, de 1996. O objetivo é mudar a imagem negativa de libertinagem do Paraguai’’, afirmou o paraguaio.
O diretor disse ainda que a medida não está relacionada à pressão do governo norte-americano, que tem exigido do país um maior controle sobre os estrangeiros após ao atentado de 11 de setembro. A tríplice fronteira é acusada pelo EUA de abrigar financiadores do terrorismo. ‘‘É uma coincidência’’, respondeu.

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