com o governador de Alto Paraná, Jotvino Urunaga, pedindo apoio político para acabar com os conflitos agrários na região de fronteira com o Estado brasileiro do Paraná. A situação está mais crítica no distrito de Porto Índio, no município de Mbaracayú, onde 30 das 62 propriedades de brasileiros foram ocupadas por sem-terra. Os que ainda não foram expulsos estão sob constante ameaças de invasão e morte. Um exemplo é Darci Martins, de 47 anos. Depois de quatro anos de litígio judicial, Martins foi obrigado a vender pela metade do preço os 260 hectares que tinha em Itapuapoty, a 280 quilômetros de Foz do Iguaçu. O assassinato de dois amigos brasileiros e as ameaças constantes levaram o produtor a armar-se com um revólver e uma espingarda calibre 12. Protesto - Um grupo de aproximadamente 200 produtores está há quarenta dias perambulando por acampamentos na região de Foz do Iguaçu. Para chamar a atenção de autoridades brasileiras e paraguaias para o problema, há três semanas eles se instalaram nas proximidades da Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz a Ciudad del Este. Nos últimos dois dias eles relataram a uma representante da Federação Internacional de Direitos Humanos, com sede em Paris, as agressões físicas e morais que vêm enfrentando no Paraguai. Acusações - De acordo com os agricultores, com a conivência da Polícia Nacional do Paraguai e a inoperância da Justiça local, grupos organizados de sem-terra invadem, saqueiam, aterrorizam e expulsam os imigrantes de suas propriedades, onde a maioria vive há 20 ou 30 anos. Movidos por interesses econômicos de grupos políticos, os líderes do movimento sem-terra na região de Porto Índio estão evocando o espírito nacionalista para tentar expulsar os agricultores brasileiros das terras localizadas às margens do reservatório da Hidrelétrica de Itaipu. Durante audiência em Assunção, o ministro do Interior do Paraguai, Walter Bower, assegurou esta semana aos brasileiros que o governo vai intervir na região para resolver o problema e garantir a eles um retorno seguro às suas propriedades. Bower informou que na próxima semana será instalado em Porto Índio um posto avançado da Polícia Nacional e um escritório do Instituto de Bem-Estar Rural (equivalente ao Incra no Brasil) para preparar a volta dos brasileiros a partir de segunda-feira.Por Mauri Konig e Patrícia Iunovich, especial para A ae Foz do Iguaçu, PR, 30 (AE) - A Justiça do Paraguai determinou hoje o uso de policiais armados para a retirada de 2 mil trabalhadores sem-terra que há 18 dias mantêm parcialmente sitiada a cidade de San Alberto, a 90 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu (PR). Os trabalhadores sem-terra têm até segunda-feira para sair pacificamente da cidade ou serão retirados pelos policiais. O prefeito de San Alberto, o brasileiro Romildo Antônio de Souza Maia, 36 anos, foi afastado à revelia do cargo. A cidade está localizada numa região em que grupos organizados de sem-terra paraguaios estão invadindo e expulsando agricultores brasileiros de suas propriedades. Desestímulo - A intenção dos líderes do movimento é desestimular a permanência dos imigrantes em uma região onde os brasileiros se sobressaem nas estatísticas populacionais e na produção de soja, milho e trigo. Em San Alberto, por exemplo, 80% dos 23,5 mil habitantes da cidade são de origem brasileira. Empresário bem-sucedido, estabelecido há 30 anos na cidade, Maia foi eleito prefeito pelo Partido Colorado com 68% dos votos válidos. "As acusações de corrupção administrativa que esse grupo faz contra mim são pretexto para coagir os brasileiros", diz Maia. Ele é acusado de malversação do dinheiro público, mas nenhuma denúncia foi comprovada até o momento. O prefeito atribui a tentativa de sua deposição ao seu vice, o paraguaio Edgar Maidana Roiy, também do Partido Colorado.Os cinco vereadores da oposição (num total de nove), segundo o prefeito, são os principais organizadores dos sem-terra na cidade, que desde o dia 13 ocupam a praça central, obstruem um dos acessos à cidade e mantêm a prefeitura interditada. "Eu e alguns amigos que me apóiam já recebemos ameaças de morte, mas isso não nos intimida", afirma Maia. Justiça - A volta do brasileiro às atividades na prefeitura foi determinada pelo juiz da Vara Criminal de Ciudad del Este (fronteiriça a Foz), Hugo Zueli Martinez. O chefe da Polícia Nacional no Departamento de Alto Paraná (equivalente a Estado no Brasil), Miguel Centurión, assegurou ao prefeito que, se for necessário, vai usar policiais armados para desobstruir a entrada da prefeitura. A ação deve ser na segunda-feira. Conflitos - Esta semana, Maia e outros 12 prefeitos da região foram ao Congresso paraguaio e ao Ministério do Interior do país

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