'Paradão dos Caminhoneiros' esvazia estradas
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segunda-feira, 26 de agosto de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O primeiro dia útil de greve dos caminhoneiros teve adesão de cerca de 70% dos 80 mil profissionais do setor no Estado, segundo informações do Sindicado dos Caminhoneiros do Paraná (Sindicam). O movimento de caminhões nas rodovias pedagiadas caiu entre 23% e 45% em comparação com segunda-feira da semana passada. No Porto de Paranaguá, a queda foi de até 12%. Não houve manisfestações dos grevistas, que decidiram fazer uma greve pacífica e deixar os veículos parados.
Em Londrina, muitos motoristas deixaram os caminhões em casa e se concentraram em postos de combustíveis à beira das estradas, para conseguir a adesão de outros caminhoneiros à paralisação. No trecho da PR-445 entre os trevos de Cambé e do distrito da Warta, vários caminhões permaneciam parados nos postos. Everaldo Blaszack, a mulher Isaura e a filha Rafaela estavam desde o final da tarde de sábado no Posto Cupim. Ele interrompeu a viagem para Rondonópolis (MT) e, como seu caminhão está sem carga, decidiu aderir ao movimento dos caminhoneiros.
Segundo as polícias rodoviárias Estadual e Federal, o fluxo nas rodovias paranaenses permaneceu tranquilo durante toda a segunda-feira. De acordo com o presidente do Sindicam, Diumar Bueno, a adesão de 70% é bastante satisfatória.
Os grevistas do Paraná vão esperar a orientação do comando nacional, que está negociando com o Ministério dos Transportes. A assessoria do ministério informou que o governo ainda está estudando a pauta de reivindicações (ver texto ao lado). O movimento, chamado de ''Paradão dos Caminhoneiros'', começou no domingo e teve adesão de 80% em todo o Brasil, segundo os coordenadores da greve. De acordo com a assessoria do Porto de Paranaguá, o movimento no pátio de triagem caiu bastante, mas há bastante produto nos armazéns e por isso os navios atracados podem ser carregados.
As concessionárias de estradas do Paraná sentiram uma grande redução no movimento. Apenas a Viapar, que comanda o trecho entre Maringá e Cascavel, afirmou que o fluxo de caminhões foi normal. No trecho controlado pela Econorte (Londrina-Estado de São Paulo), a queda no movimento de caminhões foi de 23%. Pela Rodonorte (Curitiba-Londrina) passaram 45% menos caminhões do que nos dias normais. A Ecovia também teve queda de 45% no fluxo de caminhões. Da zero hora de ontem até às 17 horas de ontem, passaram apenas 1,4 mil desses veículos, sendo que o normal é 2,7 mil.
O vice-presidente da Federação das Empresas de Cargas do Paraná (Fetranspar), Ademar Barbosa, disse que as empresas de transporte estavam trabalhando normalmente ontem e não vão aderir ao movimento porque acreditam que esse não é o melhor momento. ''Tanto o governo federal quanto o estadual estão no fim do mandato. Então, como eles vão resolver alguma coisa'', questionava. Além disso, Barbosa estima que ainda restam 30% da safra para ser transportada, o que estaria desestimulando empresas e motoristas a aderir ao movimento. (Colaborou Denise Angelo)


