Sob sol forte e temperatura que chegou aos 37 graus, milhares de pessoas participaram da 3ª Parada Cultural LGBTI+ de Londrina neste domingo (13). O público começou a se concentrar no Calçadão por volta do meio-dia e, às 13h30, saiu em passeata pelas avenidas Paraná, Higienópolis e JK em direção ao Zerão, onde ficou concentrado até o início da noite.

Com público estimado em 10 mil pessoas no Zerão, Parada LGBT de Londrina teve adesão de manifestantes da cidade e da região
Com público estimado em 10 mil pessoas no Zerão, Parada LGBT de Londrina teve adesão de manifestantes da cidade e da região | Foto: Gustavo Carneiro

A Polícia Militar não fez estimativa do número de manifestantes. Já a organização do evento calculou que 10 mil pessoas assistiram aos shows realizados no Zerão. Segundo o site da Prefeitura, no auditório local, que estava lotado, cabem 6 mil pessoas sentadas. Havia muita gente nas imediações.

As namoradas Tatiana, 20 anos, e Débora, 32, participaram da parada pela terceira vez. “Estamos crescendo. É importante para que as pessoas deixem de ver a gente como anormais”. Para elas, muitas pessoas saíram às ruas pela primeira vez neste domingo como reação à postura do governo do presidente Jair Bolsonaro, contrária ao público LGBT. “Não importa se temos um presidente que não nos aceita e faz declarações ridículas. Não vamos deixar de fazer a parada por causa disso. Pelo contrário, a parada vai crescer mais”, disse Tatiana. “A tendência é a parada crescer. Depois que ele (Bolsonaro) foi eleito, a gente ficou mais atuante”, confirmou Débora.

A manifestação, segundo os organizadores, recebeu caravanas de 30 cidades. As psicólogas Vanderli Pereira e Neusa Garzin, que integram um grupo de mães pela diversidade, vieram de Jacarezinho (150 km de Londrina). “Independentemente de ter dois filhos gays, sou psicóloga e cristã. Penso que o ser humano é diverso e, na sua diversidade, tem de ser respeitado”, disse Vanderli.

Sua militância em defesa da diversidade, segundo ela, é uma forma de seguir o exemplo de Jesus. “Ele nunca discriminou ninguém. E não foi crucificado pelas minorias. Foi crucificado pelos doutores da lei”, afirmou,

Já a amiga Neusa só tem filhos héteros, mas luta pela diversidade como uma forma de deixar uma “boa herança” para o futuro. “Nós temos muita preocupação com herança que está vindo por aí, uma herança deixada por governos autoritários, por pessoas que deveriam estar defendendo esses jovens e não estão”, disse.

Entre os manifestantes, também estavam representantes do Grupo de Sexualidade e Espiritualidade da paróquia São Lucas, da Igreja Anglicana de Londrina. “Nosso grupo, que foi fundado por um homem trans, discute o preconceito e como Jesus lidava com o preconceito”, afirmou o estudante de ciências sociais Rogério do Prado, 28 anos.

Ele contou que a Anglicana é uma igreja “inclusiva” e que já realizou casamentos LGBTs em Londrina. “É importante que as religiões se posicionem contra a discriminação e a violência.” Questionado sobre a postura dos cristãos conservadores contrários à diversidade sexual, o jovem disse que eles precisam “entender melhor a palavra de Jesus”. “Cristianismo não combina com discriminação.”

Na visão do estudante, os cristãos deveriam se lembrar que, apesar de serem maioria hoje no Ocidente, ainda são minorias perseguidas em diversos lugares do mundo. “É uma boa reflexão para ajudar as pessoas a eliminarem seus preconceitos.”

ORGANIZAÇÃO

De acordo com a organizadora e integrante do coletivo Movimento Construção, Poliana Santos, o evento foi pacífico do início ao final. “Com exceção de um ou outro xingamento vindo dos prédios no Calçadão, tudo foi muito tranquilo”, avaliou.

A parada contou com apoio da Polícia Militar, da Guarda Municipal e da Secretaria de Saúde que divulgou material de prevenção a DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

Em alguns momentos da manifestação, os participantes gritaram palavras de ordem contra Bolsonaro. Mas, não houve referência ao presidente, nem ao governo por parte dos organizadores. “Somos um movimento suprapartidário. Nosso discurso é pela justiça social independentemente de quem está no governo. As manifestações foram espontâneas, partiram do público”, garantiu.

mockup