Para Werlang, não haverá expurgo sobre índice escolhido
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Por Gustavo Freire 
Brasília, 13 (AE)_- O diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, também esclareceu que no modelo brasileiro não será feito nenhum expurgo na meta inflacionária. Ele lembrou que países como Chile, Israel e México também trabalham com modelo de meta inflacionária usam o índice cheio. Alguns países costumam expurgar do índice os preços de itens como aluguel, alimentos e petróleo. O diretor também informou que no modelo brasileiro também serão usadas faixas dentro da quais a inflação poderá variar. Ele lembrou que, na Inglaterra, há uma meta inflacionária de 2,5% ao ano, que pode variar 1%, para cima ou para baixo. Quando a inflação ultrapassa esses limites, o BC é obrigado a encaminhar ao ministro da Fazenda uma carta aberta explicando porque houve essa variação acima do previsto e indicando quais medidas serão adotadas para que os preços voltem ao padrão acertado. Ele disse que essa carta é aberta. No caso do Brasil, ainda não está definido qual será a faixa de variação a ser utilizada.
O diretor ressaltou que a decisão de passar a trabalhar com uma meta de inflação como balisador de taxa de juros fará com elas sejam mais baixas do que as praticadas em um contexto em que a meta inflacionária tem que ser alcançada por meio do controle de agregados monetários. Isso ocorre, segundo Werlang, porque a política de se balisar os juros pelo controle dos agregados monetários contém um grau maior de incerteza. "Isso é um extra que temos que colocar para cobrir uma incerteza maior"
disse.
Apesar disso, ele disse que não está definido se o governo deixará de ter trimestralmente uma meta para os agregados monetários. "Se atrapalhar a meta inflacionária, deixaremos isso de lado, mas acredito que não. As metas dos agregados monetários poderiam ser coadjuvantes e aí as manteríamos", afirmou Werlang.
Indexação - Sobre a preocupação de que a meta inflacionária venha a realimentar a indexação, Werlang lembrou que países como Chile, que têm indexação diária, trabalham com metas inflacionárias e têm uma inflação efetivamente baixa. Mostrando despreocupação com o fato, ele disse que "se quiserem usar, podem usar, mas isso não atrapalhará a meta inflacionária", afirmou.


