Pará tem 2.400 focos de queimadas em 45 dias
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de setembro de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 13 (AE) - A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Pará (Sectam) revelou hoje o resultado de um levantamento feito pelo órgão sobre queimadas no Estado feitas nos últimos 45 dias. Foram 2.400 focos de incêndio, 80% deles nas florestas do sul e sudeste paraense, principalmente em áreas ocupadas por lavradores sem terra ou para a abertura de pasto em fazendas.
O Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Polícia Federal, Sectam e outros órgãos, vasculhou 32 municípios da região e aplicou R$ 400 mil em multas, mas nem assim os incêndios diminuíram. O medo
agora, é o prolongamento da estiagem.
O mais recente foco de incêndio foi descoberto na fazenda Pastoriza, em São João do Araguaia, ocupada há mais de um ano por 350 famílias sem terra. A reserva florestal de 2 mil hectares de castanha-do-pará está queimando.
Para o diretor de fiscalização em exercício da Sectam, Guilherme Bentes, hoje o maior foco de queimada está no município de São Félix do Xingu, no sul do Estado. "Infelizmente, o nosso maior problema para combater esses incêndios na floresta é a falta de pessoal e veículos, além de maior autonomia estadual, pois tudo é feito pelo Ibama", lamenta Bentes.
Ele garante que o Pará, mesmo com muitas dificuldades, está conseguindo reduzir o número de queimadas. O Estado campeão nacional de incêndios é Mato Grosso, seguido de Tocantins. O Pará, que ano passado liderava esse triste ranking, está agora em terceiro lugar. "É impossível comemorar. Nossa meta é cair a cada ano, graças à mobilização de órgãos públicos, entidades civis, prefeituras e grupos de voluntários nos municípios, que estão nos ajudando a combater o fogo".


