Para superintendente, "hospital está inchado e administração é arcaica"11/Mar, 18:53 Por Lígia Formenti São Paulo, 11 (AE) - Sete meses depois de assumir a função de superintendente do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), o médico Gérson Andrade de Almeida confessa: "O hospital apresenta uma série de problemas de infra-estrutura sua administração é arcaica e o número de funcionários é superior ao necessário." Apesar disso, poucas coisas foram realizadas para alterar o quadro. O problema dos funcionários é um exemplo. Parte dos trabalhadores do hospital é contratada pelo regime da CLT. Mas a dispensa desse pessoal não é cogitada: "Muitos deles já são idosos e temos pena de dispensá-los." Se o quadro de funcionários não se modifica, a diretoria no entanto, apresenta uma rotatividade intensa. Nos últimos três anos, o hospital teve cinco superintendentes. Os salários baixos também são usados como argumento para a crise. Para contornar a baixa remuneração dos médicos, foi criado há menos de cinco anos um regime de plantão. Com o artifício, os vencimentos dos médicos duplicaram. De acordo com a presidente da Associação dos Médicos do HSPM, Dalva Matsumoto, os profissionais recebem cerca de R$ 1.600,00 por dois plantões de 12 horas por semana. "É claro que muitos desses médicos interrompem sua jornada de trabalho para fazer visitas a consultórios particulares e, alguns, somente assinam o ponto", afirma. "Mas isso é exceção", garante. Segundo ela, a grande espera para consultas é provocada pelo sistema de agendamento. "É usado um programa de computador que não admite encaixes no caso de desistência." Já o superintendente afirma que o sistema ainda não é informatizado. Ponto - Durante a visita feita ao hospital no mês passado, o secretário municipal de Saúde, Jorge Pagura, afirmou que muitos médicos apenas assinavam o ponto. "Foi um engano: muitos estavam em cirurgias", diz o superintendente. Mesmo assim, um relógio de ponto foi encomendado e, nas próximas semanas, será instalado. A falta de planejamento atinge ainda o setor de diagnósticos. Dos três aparelhos de raio X, apenas um está em funcionamento. Além disso, alguns equipamentos são subutilizados por falta de pessoal para operá-los. "Empresas são contratadas para fazer esse trabalho", afirma Dalva. "Já foram feitos estudos demonstrando que, se fosse contratado pessoal, o custo seria menor." O dinheiro, que já é pouco, acaba sendo gasto sem necessidade. O HSPM é sustentado pela contribuição de 3% do salário-base dos funcionários municipais. Além disso, a Prefeitura fornece outra quantia, cujo montante vem diminuindo ano a ano. Em 1995, foram dados R$ 23,6 milhões. Em 1999, apenas R$ 17,45 milhões, segundo informações do vereador Carlos Neder. "A Prefeitura havia prometido R$ 40 milhões", informou Néder. Há, ainda, um repasse feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para os atendimentos no Pronto-Socorro. Urgência - Sem dinheiro, com uma dívida de R$ 18,8 milhões, os fornecedores são afugentados. Segundo o Sindicato dos Médicos, é difícil realizar algumas das licitações, por falta de propostas. Com isso, acabam sendo feitas compras de urgência, sem licitação. Apesar de o HSPM ser uma autarquia, e de a Secretaria de Saúde realizar a indicação da lista tríplice para a superintendência, o secretário Jorge Pagura não quis dar entrevista sobre o assunto. De acordo com a Assessoria de Imprensa, somente a superintendência responde pelo hospital.