Para Soros, FMI tem como reagir a crises, mas não como preveni-las
Chicago, 21 (AE-DOW JONES) - Uma das assimetrias que marcam as operações do Fundo Monetário Internacional (FMI) é que ele pode intervir em momentos de crise, mas não tem autoridade para agir preventivamente, afirmou o investidor George Soros.
Ele citou como exemplo o caso da Tailândia, no qual o Fundo tinha consciência dos problemas que estavam se desenvolvendo e advertiu as autoridades do país, mas teve que esperar para intervir até ser chamado a fazê-lo.
"Nas crises recentes, o FMI impôs taxas de juro punitivas e os países envolvidos foram mergulhados em recessão profunda. Mas
quando a crise ameaçou os Estados Unidos, o Federal Reserve baixou as taxas de juro e a economia norte-americana escapou sem danos", declarou Soros, durante conferência sobre a crise financeira global em Chicago.
O investidor sugeriu que o tipo de assistência que diferentes países possam esperar do FMI passe a ser vinculado ao desempenho de cada país. Para ele, o FMI deve ir além das reformas propostas recentemente e declarar que, no caso de países que cumprirem padrões requeridos, os programas do Fundo não envolverão reestruturação de dívida.
Com isso, credores não teriam que temer que cláusulas de ação coletiva seriam invocadas, exceto no caso de falência de companhias individuais. "Isso permitiria que os países envolvidos tivessem acerto a créditos no mercado a taxas mais baixas. Isso daria um forte incentivo para os países cumprirem os padrões requeridos e permitiria ao FMI agir de forma preventiva", afirmou.
Soros acrescentou que as garantias do FMI seriam limitadas a bônus emitidos publicamente e não seria aplicáveis a linhas de crédito bancário. Para o investidor, as reformas que estão sendo estudadas visam a desencorajar o fluxo excessivo de capitais, e o resultado disso será pouco capital disponível para os países da "periferia".
Além disso, acrescentou, os diferenciais de taxas de juro permanecerão demasiadamente altos. "A disparidade no custo do capital vai encorajar a aquisição de companhias domésticas por multinacionais, tanto na indústria como no setor de serviços financeiros", declarou.
Soros também disse que a atividade dos fundos de hedge norte-americanos foi parte do problema que afetou a ásia. "Os fluxos de capital são, definitivamente, um problema para a ásia", acrescentou.
Sobre a recuperação do mercado norte-americano de ações, Soros disse ter fé nos planos do presidente do Fed, Alan Greenspan, para lidar com a economia dos EUA, mas ressalvou que um ponto que exige atenção é o déficit comercial norte-americano. "O déficit comercial chegará a um ponto em que vai se tornar insustentável, mas ainda não chegamos a esse ponto", acrescentou.





