Rio - O médico sanitarista Jaime Calado, ex-secretário nacional do Plano de Erradicação do Aedes aegypti (PEAa), criticou duramente a opção do governo federal de controlar infestações, nos últimos oito anos, em vez de tentar a erradicação do mosquito transmissor da dengue. Ele esteve ontem no Rio, para apresentar uma palestra sobre o tema, no 2º Fórum Estadual sobre a Dengue, promovido pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj ).
Calado disse que a próxima etapa a ser enfrentada pelo Brasil deverá ser a epidemia de dengue hemorrágica, uma vez que a população já passou pelos estágios anteriores e progressivos - dispersão do mosquito, casos episódicos de dengue clássica, epidemias de dengue clássica, casos esporádicos da forma hemorrágica.
No ano passado, houve 780 mil casos notificados da doença e 145 mortes. ''É um sério risco que enfrentamos dentro de pouco tempo, visto que quem já foi afetado pela doença tem maior chance de ter dengue hemorrágica.'' Para o sanitarista, o plano de controle dos mosquitos é bem feito, porém não passa de uma medida paliativa. ''O controle não funciona, significa a presença do Aedes aegypti e tenta-se manter o índice de infestação inferior a 1% das residências. Mas existe o constante risco de descontrole. Estamos perdendo de goleada, quem ficar ao lado do controle vai perder essa partida'', afirmou.
O sanitarista criticou a atuação do governo Fernando Henrique Cardoso no combate à doença. ''Ele assumiu com 56 mil casos por ano e deixou com 780 mil. Ao descentralizar a gestão, o governo entregou epidemia para os Estados e municípios. Passou a apenas distribuir dinheiro, quando tem de fazer políticas públicas'', disse.