Londrina - O governador Beto Richa considerou ''vergonhosos'' os altos índices de criminalidade do Paraná, que registrou média de 32 homicídios para cada 100 mil habitantes de 1997 a 2007, e atribuiu a violência ao ''abandono'' do setor de segurança pública por parte do governo anterior.
A declaração foi dada ontem após a audiência pública da atual gestão na ExpoLondrina. Richa adiantou que a estratégia do governo para reverter os números negativos inclui o aumento do efetivo policial e a intensificação do patrulhamento na Tríplice Fronteira.
Em Londrina, levantamento não oficial realizado pela FOLHA indica que foram registrados 108 assassinatos em 2010. O número é 15% menor do que o de 2009, quando aconteceram 126 homicídios. Nos últimos anos, foram registrados 131 homicídios em 2008, 94 em 2007, 133 em 2006, 132 em 2005, 183 em 2004 e 193 em 2003.
Apesar de não repassar os números de homicídios do período divulgado pelo governo do Estado (1997-2007), a Secretaria do Estado de Segurança Pública (Sesp) disponibilizou o número de crimes contra a pessoa - que engloba homicídios dolosos, lesão corporal, ameaças, sequestro e cárcere privado - de 2007 a 2009. Latrocínio (roubo seguido de morte) entra na categoria de crimes contra o patrimônio. Nos crimes contra a pessoa, Londrina registrou um aumento de 102%; o número saltou de 4.123 para 8.365.
Devido aos altos índices, Beto Richa garantiu que o gabinete de gestão integrada, fruto de parceria entre o governo estadual e o Ministério da Justiça, será implantado em 24 de abril. ''A meta é evitar a entrada de armas pesadas e drogas no Paraná. Esse é o primeiro passo, mas precisamos também aumentar o efetivo policial. É inconcebível que nosso número atual seja inferior ao de 20 anos atrás. Não é à toa que a violência cresceu, e muito, no Estado'', analisou Richa.
Segundo o governador, o índice de homicídios do Paraná é uma ''vergonha para um Estado que já foi considerado tranquilo.'' ''Tenho demonstrado para os paranaenses que a situação da nossa segurança é caótica. Isso é resultado da falta de investimento do governo anterior, que não tratou o assunto com a devida seriedade'', alfinetou.

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