‘‘O conceito vaga zero tem origem na Política Nacional de Atenção à Urgência e significa que nenhum cidadão brasileiro, que encontre-se em situação emergencial de saúde, fique sem atendimento médico. O atendimento pré-hospitalar feito pelo Siate e pelo Samu é muito dinâmico, não há como esperar pelo processo de regulação tradicional.’’ A afirmação é do assessor técnico de urgência e emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Alessandro Sella de Godoy Bueno, responsável pela Central de Regulação de Leitos Municipal e Interserviços.
  Segundo Bueno, o paciente atendido pelos serviços de urgência e emergência precisa ter fácil acesso a um hospital capaz de estabilizar seu quadro e que tenha recursos diagnósticos e de intervenção e tratamento. ‘‘Se a gente for esperar alguém dar o leito, este paciente morre na rua, porque muitas vezes este leito não existe prontamente.’’
  Ele lembrou que antes da regulação de leitos, pacientes graves tinham que aguardar em instituições de menor complexidade uma vaga em hospital terciário. ‘‘O conceito do vaga zero permite que a gente não tenha dificuldade em levar o paciente a um pronto-socorro. A lei determina que nós temos que oferecer o melhor nível de atendimento, para garantir a integridade física e mental da pessoa. Se porventura a complexidade oferecida for maior que a necessidade do paciente, podemos fazer uma contrarreferência e uma contrarregulação.’’
  Para o médico, a política da vaga zero ‘força’ o sistema a se organizar para absorver a demanda e dar o atendimento exigido. O objetivo, segundo ele, é tirar o paciente do quadro emergencial e levá-lo ao hospital de referência, tendo ou não leito. ‘‘É uma forma de levar todos a se empenharem a dar a melhor resposta com os recursos já existentes. É algo muito positivo, não podemos mais trabalhar sem o vaga zero.’’
  Bueno garantiu que em Londrina existe integração entre o grupo técnico das Unidades Básicas de Saúde, nos pronto-atendimentos, no Samu, nas centrais de regulação e na rede hospitalar. ‘‘Estamos buscando esta integração e soluções em conjunto dentro do Comitê Gestor de Urgência do município’’, disse. O assessor admitiu, porém, que faltam leitos de UTI em Londrina. ‘‘Observamos que de 12 a 15 pacientes ficam nos prontos-socorros, todos os dias, aguardando algum destes leitos. É uma situação que se agrava quando temos grandes endemias e pandemias.’’  (S.L.)

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