Para Quintão, não haverá atritos com militares
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 19 (AE) - Definindo-se como um otimista, o advogado-geral da União, Geraldo Magela Quintão, à espera da posse como novo ministro da Defesa, afirmou hoje que não acredita que terá atritos com os militares e avisou que vai atuar como ministro de Estado.
"Sempre me dei bem com os militares e me dou otimamente bem com os três comandantes", afirmou o novo ministro da Defesa. Se confirmado, o posicionamento de Quintão pode surpreender integrantes das Forças Armadas que, ontem (18), reagiram com surpresa à nomeação do advogado para o Ministério da Defesa. Eles esperavam um ministro que tivesse trânsito no Congresso com o objetivo de defender projetos e garantir recursos para a área militar e não um advogado de carreira e ex-funcionário do Banco do Brasil (BB).
Mesmo sem ter tomado posse, Quintão teve um dia de muitos contatos hoje. Ele conversou com os comandantes das Forças Armadas - da Marinha, almirante Sérgio Chagastelles, do Exército, general Gleuber Vieira, e da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista - e com o ministro da Defesa demissionário Élcio álvares.
No fim da tarde, teve uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Quintão disse que trataria de assuntos da Advocacia-Geral da União (AGU).
Uma das atuações do passado de Quintão que pode trazer atritos com os militares é o parecer que ele redigiu favoravelmente à venda de 20% das ações da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) para um consórcio formado por empresas francesas.
Hoje, Quintão defendeu o trabalho, mas disse que o parecer é jurídico e não político. "Aqui, eu exercia uma função eminentemente técnica de advogado", afirmou. Por esse motivo, ele disse que não podia dar publicidade aos atos como advogado-geral da União. Quintão promete ter uma postura diferente somente após a posse. Até lá, ele disse que não falará sobre os projetos para o ministério. "É evidente que tenho idéia do que vou fazer: veja no meu discurso de posse", avisou.
O fato de Quintão ser discreto e de, dificilmente, conceder entrevistas a jornalistas pesou na escolha para o ministério, de acordo com colaboradores de Fernando Henrique. Ele também é considerado bastante trabalhador na AGU. Chega às 9 horas e sai por volta das 14 para almoçar em casa. Volta para a AGU e somente deixa o trabalho depois das 21 horas. A cada 15 dias, viaja a São Paulo para encontrar familiares. Ele tem um apartamento na cidade.


