Para promotor, PC pode ter sido vítima de pistolagem
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 22 (AE) - O promotor de justiça Luiz Vasconcelos, que vem acompanhando as investigações sobre as mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino há mais de um ano, disse hoje que PC pode ter sido vítima da pistolagem -ou seja, crime sob encomenda. Amanhã (23) faz três anos que o ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor foi encontrado morto ao lado na namorada, em sua casa de praia, em Guaxuma, litoral norte de Maceió.
"Se o motivo não foi emocional, com certeza foi premeditado e como tal só pode ter sido pistolagem", declarou o promotor, que deverá decidir o destino do caso até o final de agosto. "Tenho três caminhos a seguir: ou ofereço denúncia contra os suspeitos, ou peço o arquivamento do inquérito, ou solicito novas diligências", explicou Vasconcelos.
Vasconcelos lamenta a sucessão de erros cometidos pela polícia alagoana no início das investigações e as falhas do primeiro laudo sobre o caso, assinado pelo médico legista Fortunato Badan Palhares. "Nossa missão agora é corrigir tudo isso e mostrar para a sociedade a verdade dos fatos", disse o promotor.
Até o final do mês, Vasconcelos estará recebendo um parecer técnico de especialistas presentes ao debate entre as duas equipes de peritos que assinaram laudos conflitantes sobre o caso. Durante o debate realizado quinta-feira em Maceió, Palhares voltou a defender a tese de crime passional, dizendo que Suzana matou PC e depois se suicidou. Essa tese foi derrubada pela equipe do médico legista Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo. Para ele, houve um duplo assassinato.
O juiz que está a frente do caso, Alberto Jorge Correia de Lima, reconheceu que houve falha no laudo de Palhares e disse que o debate serviu para reforçar a tese de duplo homicídio. "Se fosse crime passional o caso já estava encerrado e o processo arquivado", disse Lima. Para ele, agora o Ministério Público dispõe de elementos suficientes para dar início ao processo criminal, o que não impede a continuidade das investigações visando encontrar o motivo e o mandante do crime.
Para os delegados Antonio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que assumiram o comando das investigações sobre o caso em meados de abril, a versão de crime passional está descartada. "Estamos convencidos de que houve um duplo homicídio, mas precisamos provar essa tese", afirmou Andrade. Segundo ele, caso não seja possível identificar o responsável pelos tiros, os quatro seguranças que estavam na casa de PC no dia do crime serão indiciados como co-autores do duplo assassinato.
Caso isto ocorra, os PMs Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, José Geraldo da Silva e Josemar Faustino dos Santos terão que responder na Justiça pelo assassinato do patrão e de Suzana.
Os quatro Pms tiveram prisão temporária decretada pelo juiz Lima, mas foram colocados em liberdade por ordem do presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Orlando Cavalcante Manso.


