Para promotor, assassino de Jaboticabal pode ser condenado a até cem anos de prisão
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Brás Henrique, especial para a AE 
Ribeirão Preto, SP, 16 (AE) - O operário Edson Lima de Oliveira, de 20 anos, que confessou ter matado duas crianças e um adolescente no final de semana, em Jaboticabal, no interior do Estado, pode ser condenado a até cem anos de prisão, segundo o promotor de Justiça da cidade, Mário José Corrêa de Paula. Apesar disso, como a legislação brasileira só admite prisão por no máximo 30 anos, mesmo sendo condenado a mais tempo, Oliveira deverá ser solto após cumprir este limite. Porém, como tratam-se de crimes hediondos, ele terá de cumprir a totalidade da pena, não podendo ser beneficiado com nenhuma redução.
O promotor será o responsável pela denúncia contra o operário. Ele aguarda o final do inquérito policial, mas já admite que Oliveira deva ser denunciado por triplo homicídio triplamente qualificado e por furto de objetos das vítimas. Os laudos ainda não estão prontos. O depoimento do operário chegou hoje às mãos do promotor, designado pela Procuradoria-Geral de Justiça do Estado. Oliveira diz que foi provocado pelos menores e, por isso, atirou.
Investigações - A polícia continua investigando o caso, principalmente se o borracheiro Daniel Vicente da Silva teria participação direta no crime. No sábado (10), quando Oliveira matou os garotos com uma carabina calibre 22, Silva recebeu um telefonema para buscar o colega no canavial e recebeu um relógio pela carona - o objeto pertencia a Thales Benito Ferreira, de 10 anos, uma das vítimas.
Foi graças ao rastreamento do telefone celular dos pais de Thales, roubado dos garotos, que a polícia chegou a Oliveira. O delegado de Jaboticabal, Oswaldo João da Silva, disse que não tem dúvidas da autoria do crime. "Ele nos convenceu, com riqueza de detalhes dos homicídios", disse. Crime - O operário contou que estava à margem de um rio, sentado
quando teria sido ofendido por um dos garotos - Fábio Haneico, de 17 anos -, que, de bicicletas, ia para o rancho do avô de Thales. Ele perseguiu-os e atirou em Fábio. Thales teria dito que chamaria a polícia, por isso ele resolveu matar os outros dois.
Outra justificativa apresentada pelo acusado foi uma arma de brinquedo que os três teriam apontado para ele. Oliveira diz que a arma parecia ser verdadeira. O operário já tinha passagens pela polícia por porte ilegal de armas. Ele e Silva estão presos temporariamente desde ontem. A terceira vítima da chacina foi Belício Nunes dos Reis Filho, de 12 anos. Os corpos dos três jovens foram encontrados no domingo (11), num canavial próximo à Rodovia Carlos Tonani.


