São Paulo, 28 (AE) - Em entrevista para a Rádio Eldorado, o presidente demissionário da Febem, Guido Andrade, explicou as razões do seu pedido de demissão: "As razões são de foro íntimo
em primeiro lugar; em segundo, porque eu sou um advogado que milito na advocacia plena e preciso retornar a essa advocacia", afirmou. "A Febem começou a tomar 36 horas do dia. Eu imaginava uma presidência em que eu trabalhasse muito mas tivesse uma vida normal. O presidente da Febem, nesta situação, que queira fazer as coisas que eu estava fazendo tem que ficar permanentemente à disposição. Por outro lado, eu tenho um grave problema de saúde - eu tive câncer linfático - e é uma preocupação de vida".
Guido Andrade reafirmou que a Febem é uma bomba-relógio: "Os adolescentes estão dentro de um salão na Imigrantes; são 331 menores dentro de um salão, o que é suportável até um certo ponto. Depois não é. A remoção desse local tem que ser imediata". Andrade afirmou que a sua decisão de pedir a exoneração do cargo nada tem a ver com a afirmação do governador dizendo que vai assumir pessoalmente a direção da instituição: "Não me sinto desprestigiado. É uma decisão dele, numa situação de absoluto descontrole, em que ele preferiu cuidar pessoalmente do assunto. Tanto que daqui a pouco ele vai estar no Complexo da Imigrantes".
De acordo com o ex-presidente da Febem, a culpa por esse descontrole seria da própria sociedade: "Culpas são muitas. É da própria sociedade. A Febem é uma instituição que não foi adequadamente cuidada. Ela não foi inventada agora e não foi cuidada com adequação. Eu não quero responsabilizar individualmente ninguém. E a questão do adolescente é muito mais grave do que uma simples instituição". Andrade disse que estava formando uma comissão para elaborar um novo estatuto da Febem: "Porque sem adaptá-la às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente fica muito difícil tocar a instituição da forma legal", salientou. "Eu acho que o governador pessoalmente - e da forma que ele pretende dirigir ele próprio, junto com alguém que ele deve indicar para me substituir - vai poder resolver essas questões. Eu acredito no governador, que é uma pessoa muito séria, e eu acho que a Febem hoje é um assunto de governo, de governador".

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