Rio de Janeiro - Uma semana após iniciar as investigações sobre o desabamento de três prédios, no centro do Rio, a Polícia Civil já tem certeza de que a empresa TO (Tecnologia Organizacional), que realizava obra no 9º andar, modificou a estrutura de outros cinco andares do edifício Liberdade. As paredes destes andares, que foram derrubadas, tinham função de sustentação.
A direção da TO nega ter realizado obras na estrutura. ''Estou convicto de que nossas reformas não afetaram a estrutura do prédio. Nossas reformas são internas'', afirmou Sérgio Alves, diretor-presidente da TO.
O delegado Alcides Pereira não tem essa mesma convicção. Após dez dias, 23 depoimentos, um vídeo de pouco mais de cinco minutos e conversas com peritos, ele está convencido de que entre os fatores que levaram ao desabamento estão as obras da TO.
A empresa ocupa seis andares do prédio há 13 anos. Nos cinco andares já reformados (3º, 4º, 6º, 10º e 14º), paredes foram derrubadas e grandes salões abertos.
A partir do vídeo feito por um operário, mostrando as obras do 9º andar, peritos e o delegado concluíram que as paredes tinham uma função de sustentação. As imagens mostram uma coluna parcialmente quebrada com vergalhões à mostra. Depois, novas imagens mostram a coluna no chão. O mesmo aconteceu com as vigas no teto que, segundo peritos também sustentavam o prédio. O vídeo mostra uma perfuração na viga do 9º andar e rachadura no teto.
A perícia avalia ainda se os dois andares construídos sobre o 18º andar também possam ter contribuído para a queda do edifício. O acesso ao 19º e ao 20º era feito apenas de escada. Não havia elevador.
A apólice de seguro do prédio não cobria desabamento, só danos causados por incêndio, raio ou explosão.

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