Para polícia, morte de sindicalista foi vingança
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Agência Estado 
O chefe da Polícia Civil do Pará, João Moraes, afirmou ontem que a morte do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Parauapebas, Euclides Francisco de Paulo, foi uma vingança do pistoleiro conhecido apenas por Pelezinho. Não foi nada relacionado à questão fundiária, disse Moraes.
Euclides foi morto na quinta-feira passada por um homem que estava numa motocicleta e levava um acompanhante na garupa. O criminoso atirou duas vezes contra Euclides e o atingiu na cabeça. Segundo Moraes, o depoimento na polícia da viúva do sindicalista, Evânia Moura Andrade, ajudou a resolver o crime.
Evânia contou que, duas semanas antes de morrer, Euclides havia dado dois tiros em Antonio Silva Santos, o Escorpião, amigo de Pelezinho. Euclides, garantiu Evânia, havia descoberto que Pelezinho e Escorpião eram pistoleiros infiltrados em várias fazendas invadidas por trabalhadores sem-terra no Sul do Estado.
Os dois seriam suspeitos de quatro mortes misteriosas nos assentamentos Cajazeiras e Itacaiúnas. O sindicalista vinha investigando por conta própria esses crimes e já havia comunicado à polícia de Parauapebas que estaria sendo ameaçado de morte pela dupla.
Dirigentes do MST, Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Pará acusam, em nota oficial, a polícia de ser omissa e conivente com as mortes de sindicalistas no Sul e Sudeste do Estado. Se a polícia sabia que Pelezinho e Escorpião são pistoleiros, por que não prendeu?, questionam.


