Brasília - A Polícia Civil do Distrito Federal está convencida de que Vilma Martins Costa, a mãe adotiva, é a mulher que sequestrou o bebê Pedrinho do hospital Santa Lúcia, há mais de 16 anos, e o registrou com o nome de Osvaldo Borges Júnior. ''A Polícia Civil não tem mais dúvidas: Vilma e a mulher que subtraiu o bebê do hospital são a mesma pessoa'', afirmou ontem o delegado responsável pelo inquérito, Hertz Andrade.
O delegado revelou também que Vilma já teria ''informalmente'' admitido o envolvimento, numa conversa com ele e o delegado-chefe da Delegacia de Homicídios, Luiz Julião, anteontem, numa reunião na casa do presidente da Câmara de Vereadores de Aparecida de Goiânia, Sr. Araújo.
Jayro Tapajós, o pai biológico de Pedrinho, não teme mais que a aproximação do filho seja prejudicada com a confirmação de que Vilma seja a sequestradora. ''A relação começa pela verdade e se a verdade não servir, o que posso fazer?''
Pela primeira vez, Tapajós também admitiu trazer o filho para casa, nem que seja por ordem de um juiz. ''Mesmo que passe um ano de cara amarrada em minha casa'', disse o pai, reconhecendo que, ao completar 18 anos, Pedrinho será maior de idade e poderá decidir sozinho seu destino.
O delegado garante já possuir provas suficientes de que ela é a sequestradora. Em depoimento gravado, uma parente de Vilma teria levantado a suspeita de que outras duas filhas de Vilma teriam sido ''obtidas da mesma forma que Pedrinho''.
Outro parente, em depoimento formal, confirmou ter trazido Vilma em janeiro de 1986 para Brasília, o que contradiz a declaração de que ela não teria mais voltado a Brasília, depois de 1969.
Uma outra testemunha também procurou a polícia, na segunda-feira, para dizer que reconheceu Vilma como a mulher que viu saindo do hospital abraçada a uma sacola branca, no dia do sequestro.
Denúncia - A Polícia Civil localizou Pedrinho, mais de 16 anos depois do seu desaparecimento, graças a uma denúncia anônima ao SOS Criança, três semanas atrás.
O filho só aceitou fazer o exame de DNA depois de receber garantias de que o crime de sequestro já estava prescrito. No entanto, Vilma poderá responder por falsidade ideológica por registrar Júnior como filho legítimo. A pena é de dois a seis anos. Mas a ordem de prisão precisa ser dada pela polícia de Goiás, local onde se deu o crime de registro falso.

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