Curitiba - Apesar do susto, as pesquisadoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelaram ontem, em entrevista coletiva na reitoria da instituição, em Curitiba, que estão dispostas a retornar à Antártida. Maria Rosa Pedreiro e Pricila Krebsbash (ambas mestrandas em Biologia Celular e Molecular), Cintia Machado (doutoranda em Biologia Celular e Molecular) e Nádia Sabchuk (mestranda em Ecologia e Conservação), estavam na Estação Comandante Ferraz, que pegou fogo na madrugada de sábado, matando dois militares, e participaram de estudos sobre espécies de peixes da região que possam ter sofrido alguma mudança causada pelas alterações climáticas no continente.
Tratava-se da 30 expedição com participação de pesquisadores da UFPR. O período de estudos estava marcado para terminar no dia 10 de março, mas foi antecipado pelo incidente. Além disso, para elas, o incêndio que atingiu o local foi ''uma fatalidade''.
Nádia Sabchuk, que pela primeira vez estava na Antártica, contou que, no momento do incêndio todas estavam acordadas. ''Foi uma fatalidade. Tudo estava normal até que algumas pessoas perceberam o princípio de incêndio. A partir daí todos se reuniram na sala de estar da estação onde foram feitas algumas chamadas. Não houve tumulto e nem correria. Dali saímos para nos abrigar em alguns módulos'', explicou. ''Só ficamos sabendo da morte dos dois oficiais três horas depois do ocorrido. E, mesmo assim, permanecemos em silêncio apra evitar um pânico generalizado e piorar a situação'', completou.
De acordo com mestranda Pricila Krebsbach, deu apenas para pegar umas roupas para se proteger do frio e os documentos. ''Não pegamos muita coisa porque acreditávamos que as chamas seriam controladas. Só percebemos a gravidade do incêndio no decorrer da madrugada'', disse.
A doutoranda Cintia Machado foi em janeiro para a estação acompanhar as pesquisas e confirmou que logo que chegou ficou sabendo da chata com 10 mil litros de óleo combustível que tinha afundado em dezembro. ''Tudo estava sendo acompanhado pela Marinha. Eles estudavam uma maneira de tirá-la de lá'', disse. Ela, que já tinha viajado à Antártica em outras cinco oportunidades, informou que todos os pesquisadores passam por um treinamento quando chegam à estação.
A mestranda Maria Rosa reforçou o desejo de retornar à Antártica o quanto antes possível. ''Dependemos da inicitiva do governo na reconstrução, mas sem dúvida quero voltar. Todo mundo que trabalha lá tem uma paixão muito grande por aquele local'', destacou.
A professora sênior da UFPR, Therezinha Absher, que iria chegar a Curitiba na tarde de segunda-feira, permaneceu no Rio de Janeiro, segundo a UFPR.
Lucélia Donatti, coordenadora do programa de pós-graduação em Ecologia e Conservação do Departamento de Ciências Biológicas da UFPR, informou que desde 1984 a instituição participa do programa na Antártica. Ela também destacou que a reconstrução da estação deve acontecer com a participação dos pesquisadores. ''Se for para termos novas instalações, que elas sejam as melhores, para podermos competir com os europeus e americanos. Não importa o quanto vai demorar, mas sim a qualidade do que vai vir a ficar pronto'', ressaltou.

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