Brasília, 26 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, divulgou uma nota justificando a posição diferenciada do partido em relação ao comando da Marcha dos Cem Mil, que realizou manifestação hoje em Brasília. A nota afirma que "o PDT considera a marcha de hoje o ponto de partida de um grande movimento que - apesar de todos os esforços do governo, da mídia e do conservadorismo em geral - irá congregar milhões de cidadãos e cidadãs que não se conformam em ver o Brasil ser arrastado à situação de uma colônia de exploração dos grupos internacionais e seu povo asfixiado por sofrimentos indescritíveis".
A nota do PDT acrescenta que, embora o partido tenha apoiado a denúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso por crime de responsabilidade e a instalação de uma CPI para investigar a privatização da Telebrás, "vai além desse ponto comum das oposições" conclamando "à luz do dia e abertamente" a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso e do vice-presidente Marco Maciel e a convocações de eleições em 90 dias.
"Apelamos à renúncia por estarmos convencidos - como está a maioria do povo brasileiro - de que este governo perdeu as condições de alcançar, ou mesmo apontar, as saídas para as crises a que eles próprios nos levaram", justifica a nota do PDT, que qualifica como cínica a pecha de "golpismo" dada à pregação do partido. "Golpismo, isto sim, é o que se tramam nos círculos governamentais, onde se prepara uma nova investida parlamentarista, mudando a forma de governo para que o governo continue a ser o mesmo, com os mesmos e para os mesmos. "
"Golpismo é colocar as ambições, as vaidades, os negócios acima dos interesses nacionais", rebate a nota, informando que o PDT continuará coletando assinaturas de apelo à renúncia.

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