Para Pastore, só juro menor garante retomada do crescimento
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Por Carin Homonnay Petti 
São Paulo, 13 (AE) - Com o aperto fiscal prometido ao Fundo Monetário Nacional (FMI) e o crescimento menor que o previsto das exportações, o governo não tem muita escolha: será obrigado a basear a retomada da economia na redução dos juros, o instrumento que lhe sobrou. A avaliação é do economista e ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore. Para a virada do ano, ele prevê algo em torno de 20% para a taxa Selic - estimativa que embute juros reais anuais entre 12% e 13%.
"Isso garante alguma recuperação, mas não a retomada consistente da economia", avalia ele. Por isso, ele aposta na retração de cerca de 2% do PIB para 1999 - queda "considerável", avalia, apesar de menor do que os 4% esperados logo depois da desvalorização cambial, em janeiro. No PIB per capita a retração será ainda maior: cerca de 3,5%. Para o ano que vem, no entanto, ele prevê algum crescimento.
Pastore ressalta que a redução da atividade econômica tem pesos diferentes conforme o setor da economia. Entre os segmentos mais prejudicados, ele cita os fabricantes de bens de capital, a indústria automotiva e a de eletroeletrônicos, que dependem de insumos importados e de maior volume de crédito para sustentar as vendas. No rumo oposto, a desvalorização trouxe boas notícias às áreas têxtil e de confecções, beneficiadas pela menor competitividade dos importados, explica.
Na avaliação do economista, é inviável acelerar ainda mais o ritmo de redução dos juros como incentivo à retomada do crescimento. Afinal, argumenta, é preciso ter cautela para não pressionar o dólar e a inflação, estimada por ele em 10% para os índices de preços ao consumidor em 1999. "Os juros têm de cair na velocidade permitida pelo câmbio", justifica.
Mesmo com limites, a redução dos juros é o principal instrumento do governo para a retomada do crescimento. Pastore argumenta: com a meta de superávit primário de 3% do PIB, fica difícil recorrer aos cofres públicos para acelerar a economia. As exportações também não vão dar impulso tão grande quanto o previsto inicialmente por conta da queda dos preços das commodities e da retração da economia mundial. O economista acrescenta: "No caso dos produtos industrializados, o Brasil preferiu dar prioridade às vendas para o Mercosul, sudeste asiático e leste europeu, com mercados enfraquecidos, e não para os Estados Unidos, onde existe crescimento."
Como resultado dos entraves às vendas externas, Pastore prevê para este ano superávit comercial entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões. Os números são os mesmos estimados pelo governo depois da revisão da projeção de saldo de US$ 11 bilhões acertada com o FMI. Apesar disso, haverá entrada de recursos suficientes para garantir cotação do real em torno de US$ 1,70 no fim do ano, acredita o economista.


