Duas mil famílias, ou 21 mil pessoas, foram duramente prejudicadas pelo incêndio em Roraima e precisam de ajuda imediata, avalia a equipe da Organização das Nações Unidas (ONU) formada por especialistas em grandes acidentes naturais, enviada à região. A população atingida pela seca e pelo incêndio florestal necessita de cestas básicas de comida, medicamentos, sementes, equipamento agrícola e de pesca e abertura de poços artesianos.
Essa avaliação constará do relatório final da missão que será enviado para Genebra, sede da ONU, sobre a situação de Roraima. O inventário mencionará ainda a necessidade de construção de casas e de reformas de escolas e de centros de saúde. Quando chegaram ao Brasil, os peritos da ONU informaram que pediriam a ajuda internacional para socorrer o Estado. O representante da entidade no Brasil, Walter Franco, não explicou como isso será feito.
Durante dez dias, membros da equipe da ONU estiveram em Roraima sobrevoando e visitando as principais áreas afetadas pelos incêndios: Apiaú, Caracarai, Pacaraima e a estação ecológica de Maraca. Para os especialistas, é urgente um estudo de impacto ambiental do incêndio e da seca na região e a aquisição de antenas de satélite para acompanhar informações sobre incêndios na região.
Os peritos das Nações Unidas recomendam a criação de um sistema nacional de prevenção de incêndios para evitar futuros desastres similares ao de Roraima. A medida já havia sido defendida também pelo secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão, e pelo presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Martins.
O fogo em Roraima - já controlado graças às chuvas que caíram nos últimos dias - preocupou as Nações Unidas. ‘‘O relatório final deverá, também conter recomendações gerais que ponham em evidência o caso de Roraima como um caso de onde se deverá extrair lições e ensinamentos’’, adiantou o representante da ONU, Walter Franco.
Eduardo Martins confirmou ontem que um Lear Jet do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) iniciará, entre os dias 27 e 28, uma série de sobrevôos para quantificar o prejuízo ambiental causado pelo incêndio que destruiu, segundo estudos preliminares, 34 mil quilômetros de mata no Estado. Este avião é dotado de equipamentos que permitem a realização de um mapeamento mais fiel, segundo Martins, o que não poderia ser feito pelos satélites Noaa e Landsat.

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