Para OAB há descompasso entre discurso e ação
Freddy Krause e Sônia Cristina Silva
Agência Estado
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, disse ontem considerar lamentável o uso da violência policial contra manifestantes nas comemorações e a exclusão do povo, quando na verdade deveria tratar-se de um evento de cidadania. O deputado José Genoíno (PT-SP) prevê repercussões negativas no Congresso.
Para o presidente da OAB, a manifestação em Porto Seguro revela um nível de insatisfação extremamente grave. Ele admite que o discurso do presidente FHC é democrático, mas constata que há um descompasso entre o discurso e a ação do governo. Esse descompasso, segundo ele, chega a tal ponto que quando é feita uma ação em nome do cidadão, esta ação acaba chegando ao povo como algo que é contra ele.
Quanto ao argumento de que o Brasil de hoje é fruto da herança de 500 anos, o presidente da OAB disse que graças a Deus já se passaram os 500 anos do Descobrimento e que, agora, é preciso refundar as instituições para que se possa reverter a insatisfação popular. Castro disse que não é com violência policial que se resolve o problema da insatisfação popular e insistiu ser preciso estabelecer um clima de diálogo.
Para José Genoíno, os fatos ocorridos em Porto Seguro refletem a realidade nacional. Relatam a história do Brasil: o poder protegido e o povo apanhando, afirmou. Os 500 anos não são de FHC ou do governo da Bahia, protestou o deputado. O parlamentar, contudo, acredita que a maior repercussão virá de fora.





