Os moradores do União da Vitória foram surpreendidos pelo ruído alto do helicóptero do Graer por volta das 6 horas de ontem. Há muito tempo a cidade comentava qual região deveria receber a unidade pacificadora e o bairro era um dos menos mencionados pelos palpiteiros. Falava-se muito mais da zona oeste e da zona norte. Mas quando o helicóptero do Graer sobrevoou o bairro de mais de 10 mil moradores e de 2,2 mil casas, o segredo havia acabado. As dúvidas, porém, se renovaram.
A reportagem da FOLHA percorreu as ruas em busca de opiniões. A maioria das pessoas entrevistadas ficou satisfeita com a escolha mas não escondeu a surpresa. Para elas, o bairro, criado a partir de um assentamento miserável, formado nos anos 1980, já foi extremamente violento, mas hoje é um lugar relativamente tranquilo.
Para a maioria deles, a prioridade não é a segurança. Eles querem melhores serviços públicos em áreas distintas, como educação e manutenção das vias, hoje esburacadas e irregulares. E reclamam sobretudo da saúde. ''Falta médico no posto. Preferia que este problema tivesse sido resolvido antes'', disse Luciano de Andrade, 18 anos, que trabalha na sorveteria da mãe.
''Entrei na fila para me consultar com o dermatologista no posto de saúde e minha vez só chegou três anos depois'', contou o comerciante José Antonio Menezes, 48 anos, 30 de bairro. ''Agora, na segurança não vejo problema. Melhorou mil por cento em relação ao que era.''
Fernando Cordeiro, um pedreiro de 24 anos, disse que, se pudesse escolher uma ação de governo, preferiria providências quanto ao asfalto e à sinalização. ''Em questão de segurança, imagino que há regiões bem piores na cidade'', disse.
A faxineira Antonia Emília, 64 anos, ficou satisfeita com a ocupação policial. ''Quem não deve não teme.'' Valdir Pereira Xavier, 54 anos, aposentado por invalidez, disse que não sente mais medo de circular no bairro mas apoiou a iniciativa. ''O certo é prevenir. Creio que tem muito criminoso escondido por aí.'' (L.F.M.)

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